O empresário Thiago Miranda, da agência MiThi, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, em um inquérito que investiga a contratação de influenciadores digitais para realizar ataques ao Banco Central e defender o Master, banco de Daniel Vorcaro. Durante o interrogatório, realizado na sede da PF, Miranda foi questionado sobre sua suposta coordenação do "projeto DV", que faz referência às iniciais de Vorcaro.
Em seu depoimento, Thiago Miranda confirmou ser o responsável pelas contratações e revelou que apresentou o plano a Vorcaro no final do ano anterior. Ele descreveu o serviço como uma "gestão de crise" e, segundo informações, relatou aos investigadores a existência de uma lista de páginas contratadas, com um valor total que pode atingir R$ 8 milhões. A fase de depoimentos dos contratantes está em andamento, e influenciadores que foram contratados já prestaram suas declarações, confirmando as negociações.
A investigação da PF teve início no final de janeiro e identificou uma linha do tempo de postagens de influenciadores digitais contra o Banco Central, que ocorreu entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano. Ao menos 40 perfis de influenciadores, de diversas áreas, como entretenimento e finanças, podem ter sido envolvidos no chamado "Projeto DV", que teve como objetivo defender o banco de Vorcaro.
As publicações realizadas por esses influenciadores tinham um formato e tom semelhantes, enfatizando que "pessoas comuns seriam prejudicadas com o desmoronamento do Master". Também mencionavam que havia "indícios de precipitação na liquidação do Master" pelo Banco Central e que a liquidação do banco ocorreu em um tempo considerado incomum.
A defesa de Thiago Miranda se manifestou, afirmando que ele não cometeu nenhuma ilegalidade. Em nota, o defensor Rafael Martins destacou a importância de diferenciar a atuação profissional lícita de Miranda, voltada para a orientação comunicacional e a preservação da reputação de pessoas e organizações, de interpretações que possam sugerir um objetivo ilícito. Ele enfatizou que, em nenhum momento, a atuação de Miranda teve a intenção de atacar instituições públicas ou agentes do Estado, reiterando que seu trabalho se restringe ao campo técnico da comunicação reputacional e gestão de crise, especialmente em contextos de elevada exposição pública.

