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Toffoli destaca riscos de uso de vídeos em pesquisas de opinião

Durante julgamento sobre liminar que suspendeu pesquisa da AtlasIntel, ministro do TSE enfatiza necessidade de regras claras para exibição de mídias em entrevistas.
Foto: Foto: Luiz Roberto/TSE

Em sessão realizada no dia 09 de junho de 2026, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dias Toffoli, expressou preocupações quanto ao uso de vídeos e áudios em pesquisas de opinião. Ele defendeu que a Corte deve estabelecer diretrizes rigorosas para a exibição desses conteúdos aos entrevistados antes de responderem a perguntas. A discussão surgiu em decorrência de uma liminar que suspendeu uma pesquisa da AtlasIntel, que utilizava um áudio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua metodologia.

A decisão que resultou na suspensão foi proferida pelo presidente do TSE, Nunes Marques, e se baseou em um levantamento divulgado em 19 de maio. O material apresentado aos entrevistados consistia em um áudio isolado, no qual Flávio Bolsonaro se dirigia a Daniel Vorcaro sobre o filme Dark Horse, sem incluir o contexto completo ou a justificativa do senador sobre o financiamento do longa. Essa ausência de informações completas gerou questionamentos sobre a validade da pesquisa.

Toffoli alertou que, caso o TSE permita a exibição de vídeos e áudios sem critérios definidos, a situação poderá escalar, resultando em um cenário onde conteúdos de qualquer natureza, incluindo menções a juízes, possam ser utilizados indevidamente. "Vai ter vídeo até citando juízes. Diante desse vídeo, você votaria A, B ou C?" afirmou, enfatizando a seriedade do assunto.

O julgamento da liminar foi interrompido após um pedido de vista da ministra Estela Aranha, indicada ao TSE pelo presidente Lula (PT). Toffoli insistiu na importância de uma análise cuidadosa sobre a possibilidade de incluir mídias nas questões de pesquisa, ressaltando que a Corte deve ser decisiva em sua posição.

"Temos que analisar se é possível uma pesquisa que mostre vídeos ou áudios para, depois, a pessoa responder à pergunta", declarou. Ele frisou que a falta de parâmetros pode levar a abusos, onde informações manipuladas poderiam influenciar o eleitorado sem o devido contexto. O ministro concluiu seu raciocínio dizendo que a questão não pode ser tratada com ingenuidade e que a Corte deve agir de forma clara e contundente a respeito do uso de mídias em pesquisas eleitorais.

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