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Rússia utiliza crise no Estreito de Ormuz para pressionar por apoio internacional

Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, a Rússia se torna alternativa no fornecimento de fertilizantes, buscando apoio para flexibilização de sanções ocidentais.

O fechamento do Estreito de Ormuz, inicialmente causado pelo Irã e depois pelos Estados Unidos, se transforma em uma oportunidade para a Rússia. Essa rota, que conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, é responsável por cerca de um terço do transporte marítimo global de fertilizantes. Com o bloqueio, a Rússia, que é o maior exportador e o segundo maior produtor de fertilizantes do mundo, surge como uma alternativa viável, já que suas exportações não dependem dessa passagem.

O Kremlin está utilizando o acesso a esses fertilizantes como uma ferramenta de pressão para obter apoio, não apenas de países do Sul Global, mas também de nações como os Estados Unidos e membros da União Europeia, visando a flexibilização das sanções impostas. Entre 2023 e 2025, as nações do Golfo, lideradas por Irã, Catar e Arábia Saudita, foram responsáveis por 36% das exportações globais de ureia, o fertilizante mais utilizado no agronegócio, beneficiando países como Brasil, Austrália e Nova Zelândia.

Além da questão do abastecimento, os compradores enfrentam o aumento dos preços dos fertilizantes, que são influenciados pelo custo do gás natural. Quando os preços do gás sobem, a ureia, que é produzida a partir desse insumo, também se torna mais cara. Uma análise do Conselho Europeu de Relações Exteriores destaca que as economias em desenvolvimento são especialmente dependentes dos fertilizantes russos, especialmente após as restrições impostas pelos países ocidentais desde a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022.

Em resposta a essas sanções, a Rússia tem diversificado suas rotas de exportação, mirando especialmente o Sul Global, o que se mostrou eficaz. Em 2025, estima-se que empresas russas tenham fornecido cerca de 25% das importações de fertilizantes de grandes produtores agrícolas. Agathe Demarais, pesquisadora de Políticas Públicas, observa que o bloco europeu pode optar por flexibilizar as restrições sobre os fertilizantes russos ou manter a dependência de suprimentos que podem causar problemas de saúde pública.

Demarais prevê que a Rússia poderá usar a França como um ponto de pressão na Europa, onde a percepção de que as sanções prejudicam o continente é forte. O futuro do Estreito de Ormuz é incerto, mas do ponto de vista russo, a estratégia de usar os fertilizantes como uma ferramenta diplomática já é considerada um sucesso antes mesmo de novos embarques serem realizados.

Independentemente do que ocorra na região, a abordagem russa em relação aos fertilizantes reforça a narrativa de que uma guerra liderada pelos EUA está impactando negativamente o Sul Global, apresentando a flexibilização das sanções como a única solução viável para as economias ocidentais.

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