Senadores da oposição estão mobilizados para tentar reverter a derrota de um relatório na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. O recurso, assinado por Eduardo Girão (Novo-CE), Magno Malta (PL-ES) e Marcos do Val (Avante-ES), foi protocolado junto à Mesa Diretora do Senado, solicitando a anulação da votação que rejeitou o parecer elaborado por Alessandro Vieira (MDB-SE).
O relatório de Vieira recomendava o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes — além do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. A proposta foi reprovada com um resultado de seis votos a quatro, gerando descontentamento entre os parlamentares oposicionistas, que contestam a legitimidade do processo, especialmente em razão das trocas de membros na comissão no dia da votação.
A situação se tornou ainda mais polêmica na terça-feira, 14, que marcou o encerramento dos trabalhos da CPI. No dia, dois senadores alinhados à oposição, Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val, foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), ambos próximos ao governo federal. Essa alteração foi vista como uma manobra estratégica para assegurar a rejeição do relatório.
No documento apresentado, os senadores argumentam que a mudança na composição da comissão afetou de forma artificial a correlação de forças internas. Eles afirmam que "não faria sentido reconhecer a força normativa da proporcionalidade apenas na origem da CPI e admitir, logo depois, que ela pudesse ser esvaziada por substituições estratégicas capazes de alterar artificialmente a correlação interna de forças justamente no ato de votação".
A análise do recurso ficará a cargo da Mesa do Senado, que é liderada por Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre já havia se manifestado contra o conteúdo do relatório, condenando o que considerou como "agressões permanentes às instituições". O parecer que foi derrotado levantava suspeitas sobre a conduta de membros do STF e indicava interferências no andamento das investigações da CPI, citando a suspensão de diligências e a restrição de acesso a informações.
O relatório também mencionou o caso do Banco Master como um exemplo de conexão entre crimes financeiros e organizações criminosas, porém não incluiu o indiciamento de pessoas diretamente envolvidas no esquema. A situação continua a gerar debates acalorados entre os parlamentares, enquanto a decisão final sobre o recurso depende da Mesa do Senado.

