O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reconheceu publicamente, nesta segunda-feira (20), que cometeu um erro ao nomear Peter Mandelson para o cargo de embaixador em Washington. A revelação de que Mandelson não havia sido aprovado em verificações de segurança e mantinha vínculos com Jeffrey Epstein levou Starmer a assumir a responsabilidade pela decisão, a qual classificou como equivocada.
Durante uma audiência no Parlamento, Starmer afirmou que a nomeação não teria sido realizada se todas as informações relevantes tivessem sido disponibilizadas. Ele declarou: "No centro de tudo isto, há uma decisão que tomei e que foi errada. Eu não deveria ter nomeado Peter Mandelson". O primeiro-ministro ainda expressou suas desculpas às vítimas de Epstein e afirmou que a responsabilidade pela nomeação era dele.
Peter Mandelson ocupou o cargo por nove meses até que surgiram questionamentos sobre sua proximidade com Epstein e falhas nos processos de verificação exigidos para a função. O episódio gerou uma crise política no governo britânico, com a oposição intensificando as críticas e exigindo a renúncia de Starmer. A líder conservadora, Kemi Badenoch, acusou o primeiro-ministro de ter enganado o Parlamento e o público, enquanto Ed Davey, líder dos Liberal Democratas, descreveu a situação como um “erro de julgamento catastrófico”.
A sessão parlamentar foi marcada por um clima tenso, resultando na retirada de dois deputados após acusações diretas de que Starmer teria mentido, o que foi negado por ele. O vice-primeiro-ministro, David Lammy, veio em defesa de Starmer, afirmando que a nomeação não teria ocorrido se as informações sobre Mandelson tivessem sido compartilhadas previamente.
Este episódio surge em um período delicado para o governo trabalhista, que enfrenta desafios internos e uma queda na popularidade, especialmente com as eleições locais e regionais se aproximando. Integrantes do partido demonstram apreensão quanto ao impacto político deste caso, que levanta questões sobre a escolha de um nome associado a Epstein para um importante cargo diplomático.
Além disso, documentos relacionados ao caso sugerem que Mandelson pode ter compartilhado informações sensíveis anteriormente, embora ele tenha negado as acusações. A situação gera um clima de incerteza e questionamentos sobre a gestão do governo britânico diante de um escândalo que poderá ter repercussões significativas na política nacional.

