A presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, de 56 anos, tem enfrentado o desafio de se manter no poder desde que assumiu o cargo em janeiro de 2026, após a captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Eleita vice-presidente junto a Maduro nas eleições de 2024, Delcy agora navega entre as pressões internas e as expectativas do governo americano, especialmente em relação a Donald Trump, que ela busca não contrariar.
Nos primeiros meses de seu governo, Delcy implementou mudanças significativas na estrutura do Executivo, promovendo a substituição de mais de um terço dos ministros e do alto comando militar. As alterações mais notáveis ocorreram no Ministério da Defesa e no Ministério das Indústrias e Produção Nacional, indicando uma tentativa de equilibrar os interesses do regime chavista com as exigências externas.
A demissão de Vladimir Padrino López, que ocupava o Ministério da Defesa desde 2014 e era uma figura central no apoio militar ao chavismo, foi uma das mudanças marcantes. No dia 13 de abril, Padrino foi transferido para o cargo de ministro do Poder Popular para a Agricultura Produtiva e Terras, um movimento que pode ser interpretado como um rebaixamento estratégico. Essa manobra parece atender tanto às expectativas dos EUA quanto à necessidade de Delcy de manter uma imagem de continuidade interna no regime.
Apesar da nova nomeação de Padrino, o general Gustavo González López assumiu o Ministério da Defesa, trazendo consigo uma trajetória ligada à inteligência e contrainteligência, mas não à cadeia tradicional de comando militar. Sua nomeação foi vista como uma forma de Delcy manter o controle sobre o núcleo do poder militar, mesmo com a transição de Padrino para um cargo considerado menos estratégico.
Essas manobras ocorrem em um contexto onde o mandato de Delcy era inicialmente temporário, com um limite constitucional de 90 dias. Esse prazo já expirou, mas o governo não convocou eleições, justificando a situação como uma “ausência forçada” de Maduro, que permanece preso nos EUA. Esse argumento tem servido para evitar a realização de eleições imediatas e transferir parte da responsabilidade política para o governo de Trump, criando uma situação conveniente tanto para Washington quanto para a presidente venezuelana.
Diante desse cenário, Delcy Rodríguez continua a se afirmar como uma figura central na política venezuelana, tentando equilibrar os interesses locais e internacionais, enquanto navega por um ambiente político instável e repleto de desafios.

