Em uma sessão do Tribunal de Justiça do Pará (TJ-PA), a desembargadora Eva do Amaral Coelho alertou sobre as consequências dos cortes nos pagamentos de penduricalhos aos juízes, afirmando que a magistratura brasileira pode estar se encaminhando para um "regime de escravidão". A magistrada mencionou que, no mês de março, recebeu uma remuneração líquida de R$ 91 mil, cifra que quase dobra o teto constitucional de R$ 46,3 mil.
A desembargadora criticou a percepção negativa que a sociedade possui em relação aos juízes, afirmando que a categoria está sendo vista como "bandidos" e "pessoas sem escrúpulos". Em suas declarações, Eva Coelho destacou que a imagem negativa da magistratura está gerando uma tensão significativa, pois, segundo ela, os magistrados poderão enfrentar dificuldades para arcar com suas despesas em um futuro próximo.
Eva Coelho TAMBÉM se referiu ao termo "penduricalhos" como uma expressão inadequada para descrever os benefícios que os juízes recebem. "Dizer que o juiz não trabalha e que persegue verbas e mais verbas como privilégios é uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura", declarou. A desembargadora ressaltou que a situação financeira da categoria já está impactando a vida pessoal dos juízes, mencionando que colegas seus têm deixado de frequentar consultas médicas por não conseguirem pagar.
Além disso, a desembargadora apontou para a perda de benefícios que antes eram garantidos, como auxílio-alimentação e gratificações por direção de fórum, que já foram cortados ou estão em vias de serem eliminados. Ela reforçou que essa situação poderá levar os juízes a uma condição de trabalho insustentável, comparando-a a um regime de escravidão.
Eva Coelho TAMBÉM defendeu a carga de trabalho dos magistrados, afirmando que suas atividades vão além do que ocorre nos tribunais. Ela destacou que muitos juízes dedicam horas extras em casa, especialmente durante os fins de semana, quando estão de plantão, para garantir que a justiça funcione adequadamente. Por fim, a desembargadora advertiu que a sociedade sentirá os efeitos dessas restrições quando precisar acessar a Justiça e não encontrar os serviços disponíveis, o que poderá refletir negativamente na confiança da população no sistema judiciário.

