A Justiça de Israel decidiu prorrogar a detenção do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek por mais dois dias. A medida foi tomada a pedido das autoridades locais, que justificaram a necessidade de mais tempo para interrogar os detidos. Ambos foram capturados na semana passada pela Marinha israelense enquanto tentavam romper o bloqueio naval imposto na Faixa de Gaza a bordo da "Flotilha Global Sumud".
A decisão foi assinada pelo juiz Amit Yariv no último domingo, 3. Em sua determinação, o magistrado mencionou a existência de relatórios sigilosos que indicam suspeitas concretas e um risco à segurança pública. Ele argumentou que a liberação dos detidos neste momento prejudicaria as investigações em andamento. Ávila e Keshek são os únicos integrantes do grupo de 170 ativistas que foram levados a solo israelense; os demais foram deportados para a Grécia.
As autoridades israelenses acusam o brasileiro e o espanhol de crimes graves cometidos em tempo de guerra, com foco em alegações de fornecimento de serviços e transferência de bens a organizações terroristas. Além disso, o governo de Israel levanta suspeitas sobre possíveis contatos com agentes estrangeiros e a facilitação de auxílio direto ao inimigo.
A defesa dos ativistas nega as acusações, afirmando que a intenção da viagem era apenas entregar alimentos e medicamentos a civis na região. Os advogados ressaltam que Israel não tem o direito de deter estrangeiros em águas internacionais. O grupo Adalah, que presta assistência jurídica aos detidos, classifica as acusações como uma retaliação política contra o ativismo.
Em resposta à manutenção da prisão, Brasil e Espanha emitiram uma nota conjunta, considerando a detenção ilegal e exigindo a libertação imediata de seus cidadãos. O governo espanhol refutou as alegações de que Saif Abu Keshek teria vínculos com o terrorismo.
Os dois detidos relataram ter sofrido violência durante o transporte até a prisão de Shikma, com o brasileiro alegando ter sido vendado, algemado e isolado logo após a captura. Israel defende que o bloqueio à Gaza é uma medida legal e necessária para impedir o contrabando de armas destinado ao Hamas. Novas sessões de interrogatório estão programadas antes da decisão que deve ocorrer na terça-feira.

