O Grupo Toky, que controla as marcas Tok&Stok e Mobly, formalizou um pedido de recuperação judicial nesta terça-feira (12) na Justiça de São Paulo, apresentando uma dívida de aproximadamente R$ 1,1 bilhão. Este movimento é mais um reflexo da crise que afeta o varejo brasileiro, especialmente no setor de móveis e decoração.
Os problemas financeiros do grupo são atribuídos a dificuldades que começaram durante a pandemia de Covid-19, quando a empresa foi forçada a fechar mais de 17 lojas. Desde então, a combinação de juros altos, inflação persistente, e um crédito mais restrito ao consumidor tem impactado negativamente as vendas, resultando em um caixa comprometido.
Em um comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa explicou que, apesar dos esforços para renegociar as dívidas, a situação de endividamento se agravou. A administração do grupo ressaltou que mesmo com tentativas de reestruturação junto aos credores da Tok&Stok, os resultados não foram satisfatórios.
Antes de decidir pela recuperação judicial, o Grupo Toky tentou reorganizar suas finanças. Em 2023, a Tok&Stok renegociou cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias e recebeu um aporte de R$ 100 milhões dos acionistas. No entanto, essas ações não foram suficientes para estabilizar a situação financeira da empresa.
Além disso, o grupo havia explorado alternativas como a recuperação extrajudicial, mas sem sucesso. O pedido formalizado na Justiça menciona um ‘risco de dano irreparável’ e solicita o bloqueio de R$ 77 milhões, evidenciando a gravidade da situação.
Tok&Stok e Mobly têm uma presença significativa no mercado brasileiro de móveis e decoração. A Mobly, fundada em 2011, começou com vendas online e, com o apoio de investimentos da Rocket Internet, expandiu para o varejo físico, operando atualmente 11 unidades. Por sua vez, a Tok&Stok, estabelecida em 1978, se destacou pela oferta de móveis modernos e acessíveis, acompanhando o crescimento da classe média urbana.

