Em 2021, o Institute of Economic Affairs conduziu uma pesquisa significativa no Reino Unido, focando em millennials e na geração Z, que abrange pessoas com menos de 40 anos. O levantamento mostrou que esse grupo não consegue distinguir claramente entre as ideias socialistas e as pautas capitalistas. Os jovens demonstraram uma defesa apaixonada por uma igualdade socialista, ao mesmo tempo em que aproveitam os benefícios do livre mercado. Essa contradição resulta em uma combinação peculiar de ideais: um jovem que se vê como um defensor de Lênin, mas que também se identifica com os valores de Mickey Mouse, criando uma dicotomia entre o desejo de mudança social e a realidade de suas vidas cotidianas.
A pesquisa ressalta uma desconexão crescente entre a teoria progressista e as experiências vividas. Os jovens da geração Z apresentam uma visão distorcida do que significa o capitalismo, muitas vezes alinhando-se a discursos anticapitalistas enquanto desfrutam das vantagens que esse sistema proporciona. Um exemplo disso é a figura pública Felipe Neto, que, mesmo em uma residência de alto padrão, critica o capitalismo, levantando questões sobre a coerência de suas posturas.
Os dados indicam que a geração Z e os millennials desvincularam causa e efeito em suas análises sociais e econômicas. Apesar de apreciarem a prosperidade gerada pelo capitalismo, eles também expressam aversão a conceitos capitalistas. Essa dualidade pode ser vista como uma forma de disfunção cognitiva, onde se idolatra a intervenção estatal enquanto se clama por liberdade pessoal. Essa visão muitas vezes ignora a origem dos recursos que sustentam seu estilo de vida, levando a uma crença ingênua de que a riqueza é gerada sem esforço, como se saísse de uma impressora.
A desconexão cognitiva não é um fenômeno isolado; ela é alimentada por uma educação que, em muitos casos, prioriza a performance sobre a análise crítica. O resultado é uma geração que, por exemplo, pode exibir símbolos de Che Guevara em marchas, ignorando que esse ícone da revolução tinha uma postura hostil em relação à comunidade LGBTQIA+. Essa contradição se manifesta em jovens que se engajam em causas anticapitalistas, mas que continuam a desfrutar dos confortos proporcionados pelo sistema que criticam.
Essas questões levantam discussões sobre o que a mídia e as instituições educacionais promovem como engajamento social. Muitas vezes, essas desconexões são apresentadas como ideais progressistas, desconsiderando a complexidade das realidades econômicas e sociais. A busca por um entendimento mais profundo dos problemas contemporâneos se torna urgente, especialmente em um contexto onde o discurso ideológico pode obscurecer a compreensão dos desafios enfrentados pela sociedade.
Em suma, a pesquisa do Institute of Economic Affairs revela uma geração que luta para conciliar suas crenças e as realidades do mundo moderno, refletindo uma tensão entre ideais de igualdade e a prática do capitalismo, que continuam a moldar suas vidas.

