A Samsung, uma das líderes globais em tecnologia, conseguiu evitar uma greve que ameaçava suas operações, após negociar um acordo que pode custar US$ 27 bilhões, o equivalente a R$ 133 bilhões, em bônus para os trabalhadores de sua divisão de semicondutores.
O acordo preliminar prevê a distribuição de aproximadamente 40 trilhões de wones em bonificações, que incluem 10,5% dos lucros da divisão em ações da empresa e 1,5% em pagamentos diretos em dinheiro. Essa compensação acontece em um momento crítico, já que a greve poderia afetar até 58% da produção da companhia.
A paralisação estava programada para durar 18 dias e mobilizaria quase 50 mil trabalhadores, gerando preocupações no mercado global devido ao impacto que teria na produção de memórias DRAM e NAND, que são essenciais para diversos dispositivos, como SSDs, placas de vídeo e servidores, além de sistemas de inteligência artificial.
O aumento da tensão trabalhista se deu após a empresa registrar lucros recordes, impulsionados pela crescente demanda relacionada à inteligência artificial. No primeiro trimestre de 2026, a Samsung reportou um lucro de R$ 191 bilhões, o que motivou os sindicatos a exigir uma fatia maior dos ganhos da empresa, incluindo bônus mais altos e revisões na estrutura de remuneração.
Com a escalada das tensões, a Samsung iniciou a redução temporária de operações em algumas fábricas antes mesmo da greve, uma medida que visava mitigar os impactos de uma possível paralisação. Analistas do setor alertaram que a interrupção poderia agravar ainda mais a crise global no mercado de memória RAM.
Embora o acordo tenha avançado nas negociações, ele ainda precisa da aprovação oficial dos membros do sindicato. Caso aceito, o modelo de bônus poderá permanecer válido pelos próximos 10 anos, desde que determinadas metas financeiras sejam atendidas. A validação desse acordo é crucial, uma vez que a greve da Samsung poderia intensificar a atual crise dos chips.

