O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirmou na última sexta-feira (22) a intenção do Governo Federal de implementar uma transição rápida para o fim da jornada de trabalho 6×1. Em entrevista à TV Brasil, Lula se posicionou contra as propostas da Oposição que sugerem um tempo de transição para minimizar o impacto sobre os empresários. Algumas sugestões em discussão no Congresso incluem um período de dez anos para a adaptação da jornada de trabalho.
Lula destacou a necessidade de não aceitar um cronograma que leve quatro anos para realizar pequenas reduções na jornada, afirmando que isso seria uma forma de desvirtuar a proposta. "Não dá para aceitar ficar quatro anos, para fazer meia hora por ano, uma hora por ano. Aí é brincar de fazer redução. Vota contra quem quiser. Mas vamos mostrar para o povo quem é quem nesse país", declarou o presidente.
O chefe do Executivo espera que a mudança traga melhorias não apenas para a rotina de trabalho, mas também para a qualidade de vida dos brasileiros e a dinâmica familiar. Ele acredita que o fim da escala 6×1 pode contribuir para um “melhor humor” entre os cidadãos.
Sobre as críticas recebidas do setor empresarial, Lula fez uma comparação histórica, mencionando o fim da escravidão no Brasil em 1888. Ele questionou se, na época, os empresários teriam aceitado a mudança sem resistência, lembrando que a Princesa Izabel enfrentou forte oposição após a abolição. O presidente argumentou que a alegação de que a mudança prejudicaria os empresários não é verdadeira e criticou a mentalidade do setor, considerando-a ultrapassada.
"Nós conseguimos reduzir a jornada de trabalho em 1988. De 88 pra cá, os avanços tecnológicos foram extraordinariamente grandes. Quanto de lucro essa tecnologia trouxe para os empresários?", indagou Lula, ressaltando a necessidade de adaptação às novas realidades do mercado.
Além disso, Lula anunciou uma reunião agendada para a próxima segunda-feira (25) com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, para discutir a proposta de Emenda à Constituição (PEC). Motta já havia se comprometido a realizar um esforço coletivo para a aprovação da PEC, embora Lula reconheça a necessidade de dialogar com os parlamentares para garantir a aprovação do fim da escala 6×1.

