O crescimento da infraestrutura de recarga para veículos elétricos no Brasil é notável, com um aumento de 170% no número de pontos de recarga pública rápida, que saltou de 2,5 mil para 6,5 mil em apenas 12 meses. Essa expansão está alinhada com o aumento da participação dos veículos elétricos nas vendas, que atualmente atinge 16% e tem previsão de alcançar 50% nos próximos cinco anos. Essa mudança no segmento automotivo está redefinindo a lógica de abastecimento no país.
Durante uma entrevista ao Podcast Canaltech, o diretor-geral da NeoCharge, Ayrton Barros, comentou sobre a transformação do conceito de abastecimento, que está se tornando mais acessível. Ele destacou o modelo de recarga de destino, que transforma locais como shoppings, academias, supermercados e prédios comerciais em pontos de abastecimento. Essa abordagem permite que os proprietários dos veículos elétricos carreguem suas baterias enquanto permanecem nesses estabelecimentos, alterando a dinâmica tradicional de abastecimento.
A instalação do tipo de carregador deve estar alinhada ao tempo que o cliente permanece no local, com opções que variam de carregadores rápidos de 30 kW, adequados para shoppings, a modelos mais lentos que atendem a turnos de trabalho. Essa versatilidade é fundamental para atender a diferentes perfis de uso e hábitos de consumo.
Além do desenvolvimento da infraestrutura, mudanças regulatórias também têm desempenhado um papel importante na aceleração da instalação de pontos de recarga. Barros mencionou a aprovação de uma lei estadual em São Paulo que regulamenta o direito de recarga para os condôminos, além da validação da Instrução Técnica 41 do Corpo de Bombeiros, que estabelece normas para garantir a segurança dos projetos elétricos em garagens coletivas.
A necessidade de um equipamento privado em casa varia de acordo com a rotina de cada motorista. Dados revelam que, em média, os motoristas brasileiros percorrem entre 100 e 150 quilômetros por semana. Considerando que os automóveis elétricos modernos têm uma autonomia média de 300 a 400 quilômetros, a frequência de recarga se reduz para uma vez a cada duas semanas, permitindo que os motoristas utilizem redes públicas ou corporativas para abastecimento.
Essas inovações e adaptações no setor de recarga refletem um movimento crescente em direção à sustentabilidade e à adoção de veículos elétricos, que prometem transformar a mobilidade urbana no Brasil.

