A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou suas preocupações em relação à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que modifica a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1. Em uma nota divulgada no dia 28 de maio de 2026, a entidade classificou o texto aprovado pela Câmara dos Deputados como "inadequado e inoportuno", e solicitou que a discussão prossiga no Senado com mais tempo para avaliações técnicas.
De acordo com a CNI, alterações dessa magnitude devem ser examinadas com "equilíbrio, responsabilidade e base técnica", levando em conta as repercussões sobre trabalhadores, empresas, consumidores e a economia do país. A confederação também argumentou que o debate não deveria ser realizado sob a pressão de um ano eleitoral.
A proposta aprovada traz mudanças gradativas na jornada semanal de trabalho, atualmente estabelecida em 44 horas, além de extinguir a escala de seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso. O texto ainda passará por análise no Senado, onde deverá ser votado em dois turnos.
Antes mesmo da finalização da votação na Câmara, representantes da CNI e de outras entidades do setor empresarial, como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), se encontraram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para solicitar que a tramitação da PEC fosse adiada para após as eleições municipais de outubro.
A CNI alertou que uma possível redução da jornada de trabalho, imposta por lei e sem um período adequado para adaptação, pode aumentar os custos operacionais e pressionar os preços de produtos e serviços. A entidade mencionou estimativas internas indicando que o impacto poderia variar entre 6% e 9% em diversos setores da economia, incluindo alimentos, vestuário e serviços.
Outro aspecto destacado pela confederação refere-se aos efeitos da medida sobre micro e pequenas empresas, que, segundo a nota, enfrentariam maiores dificuldades para absorver custos adicionais relacionados à contratação de novos funcionários ou à reorganização das escalas de trabalho.

