O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e ex-deputado federal Alexandre Ramagem declarou, em entrevista à CNN Brasil no último domingo, 5, que não há chance de sua extradição para o Brasil. Ele explicou que o pedido de asilo que apresentou às autoridades dos Estados Unidos está em tramitação ao mesmo tempo que o processo de extradição solicitado pelo governo brasileiro. Ramagem afirmou: "A gente está em segurança, lutando pelo nosso Brasil aqui nos Estados Unidos". Sua declaração foi feita no MetLife Stadium, em Nova Jersey, antes da partida entre Brasil e Noruega na Copa do Mundo.
Em setembro do ano passado, Ramagem foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime fechado, em um caso relacionado a uma suposta trama golpista. Ele enfrenta acusações de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, todas sendo negadas por ele.
Segundo investigações da Polícia Federal, Ramagem deixou o Brasil pela fronteira entre Roraima e Guiana logo após a sua condenação, mesmo estando proibido pelo STF de sair do país. Após isso, ele entrou nos Estados Unidos utilizando um passaporte diplomático, o que fez com que fosse considerado foragido da Justiça brasileira.
Em sua fala, Ramagem alegou que as autoridades brasileiras tentaram deportá-lo de maneira "clandestina", afirmando que elas estão cientes de que a extradição não irá se concretizar. Ele descreveu a situação como uma farsa e reafirmou que a acusação de tentativa de golpe é uma perseguição política. O ex-diretor da Abin ainda expressou sua intenção de retornar ao Brasil após as eleições presidenciais, declarando que espera que Flávio Bolsonaro vença em 2026, afirmando: "com essa luta, vamos virar 2027, [com a eleição de] Flávio Bolsonaro e a gente volta pro Brasil".
Ramagem foi detido em 13 de abril pelo ICE, agência de imigração e controle de aduanas dos EUA, após ser abordado por uma infração de trânsito em Orlando, na Flórida. Sua prisão se deu devido à expiração de seu visto. Ele foi liberado dois dias depois, sem a necessidade de pagamento de fiança, e permanece nos Estados Unidos enquanto aguarda a análise do seu pedido de asilo, que alega perseguição política como justificativa.
Em dezembro, Ramagem sofreu outra consequência de sua condenação, perdendo o mandato de deputado federal, decisão tomada pela Mesa Diretora da Câmara em razão de faltas consecutivas.

