A Polícia Federal (PF) revelou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve 74 ligações com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, no período de novembro de 2023 a maio de 2025. Essas conversas somam cinco horas e 30 minutos, conforme documentos divulgados nesta quinta-feira, 30. A investigação levanta indícios de que Wagner pode ter recebido vantagens econômicas indevidas, tanto diretamente quanto através de familiares e pessoas de confiança.
As informações foram tornadas públicas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidir levantar o sigilo da 9ª fase da Operação Compliance Zero. Esta operação investiga casos de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionados ao extinto Banco Master. O relatório da PF inclui elementos que sugerem a articulação de Wagner em favor dos interesses do banco.
Entre as revelações, a PF aponta que o senador teria organizado um encontro discreto entre Lima e Jorge Messias, advogado-geral da União. Mensagens encontradas no celular de Lima e um áudio enviado por Wagner em abril de 2024 indicam essa reunião, que ele sugeriu que ocorresse em seu gabinete, por ser um espaço seguro. Embora a PF tenha coletado essas informações, ainda não há confirmação de que Messias realmente compareceu ao encontro.
Além disso, a investigação inclui mensagens sobre um voo que possivelmente transportou Wagner, onde Vorcaro solicitou uma aeronave discreta, orientando que o avião fosse retirado rapidamente. A PF afirma que o senador utilizou aeronaves ligadas ao ex-banqueiro em pelo menos quatro ocasiões.
Outra linha de investigação envolve a chamada "Emenda Master", proposta que visava aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. A PF registrou que Wagner manteve contato com Lima após a divulgação dessa proposta, trocando ligações e mensagens, além de realizar reuniões. O material também sugere que Wagner era considerado um "aliado político" nas articulações relacionadas às pautas do Banco Master, indicando que sua atuação ia além do acompanhamento legislativo.
Na mesma data, a decisão de Mendonça também autorizou a PF a monitorar a geolocalização dos celulares de Wagner e outros cinco investigados por um período de dez dias. Essa medida se restringe ao rastreamento de localização, sem acesso ao conteúdo das comunicações, para auxiliar nas investigações em andamento.

