A defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) solicitou à Polícia Federal (PF) o adiamento do depoimento do parlamentar no âmbito do Caso Master, que estava agendado para esta sexta-feira (07). A PF já confirmou que o senador não será ouvido na data prevista e ainda não há uma nova data estabelecida para o depoimento.
Os advogados de Wagner justificaram o pedido de adiamento, afirmando que ainda não tiveram acesso aos autos da investigação devido a "problemas técnicos". Eles ressaltaram a intenção do senador de prestar esclarecimentos, mas enfatizaram que isso ocorrerá somente após conhecer detalhadamente o conteúdo da investigação.
A PF investiga se Jaques Wagner recebeu "vantagens econômicas indevidas" do Master em troca de apoio no Congresso. De acordo com as informações coletadas, os benefícios estariam relacionados a um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, voos em jatinho, um show internacional no valor de R$ 63 mil e R$ 3,5 milhões que teriam sido direcionados a uma empresa ligada à família do senador.
Conforme apurações da PF, o empresário Augusto Lima, ex-sócio do banco e associado ao Partido dos Trabalhadores, seria o elo entre Wagner e o Master. A investigação aponta que essa relação poderia ter criado um "ambiente propício" para ações que favorecessem os interesses privados da instituição. Lima também é alvo da operação.
Documentos divulgados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelaram que foram identificadas 74 ligações entre Wagner e Lima. As conversas entre os dois totalizaram cinco horas e trinta minutos.
Durante a operação relacionada ao senador no contexto do Caso Master, a PF apreendeu US$ 49 mil em espécie na residência de Wagner em Brasília, o que equivale a aproximadamente R$ 253 mil. Na casa do parlamentar em Salvador, foram encontrados ainda US$ 16.795, cerca de R$ 87 mil, 39.675 euros, que correspondem a aproximadamente R$ 234 mil, além de R$ 16.500. Wagner alegou que os valores encontrados são referentes ao reembolso de diárias do Senado.

