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Wagner Moura critica identitarismo em entrevista e o compara a fascismo

Em entrevista a Pedro Bial, Wagner Moura associou o identitarismo a um ‘fascismo de esquerda’ e comentou sobre a polarização política atual. O ator também abordou críticas que recebe por suas posições sociais e políticas.

O ator Wagner Moura, em conversa com o jornalista Pedro Bial, declarou que o identitarismo se transformou em uma forma de ‘fascismo de esquerda’. A afirmação ocorreu durante uma gravação realizada em Atenas, na Grécia, e foi exibida no programa ‘Conversa com Bial’ na terça-feira (4) pela TV Globo.

Moura respondeu a críticas que o acusam de defender pautas de esquerda, apesar de seu sucesso financeiro e de morar fora do Brasil. Ele mencionou: “Você é um hipócrita porque está aqui, em Atenas, tomando vinho com Pedro Bial e acredita que as pessoas que moram na favela merecem ser tratadas com decência”, destacando o tipo de ataque que recebe.

Ao abordar sua origem e trajetória, o ator fez uma reflexão sobre sua infância em Rodelas, na Bahia. Moura questionou: “Quando eu estava lá em Rodelas e era pobre, aí eu poderia ser de esquerda, né? Parece que existe um portal pelo qual você passa. Queria saber qual é o teto, quanto você precisa ganhar para deixar de acreditar em justiça social.”

Além disso, Moura relatou as críticas que recebe relacionadas ao seu estilo de vida e sua posição social. Ele exemplificou os argumentos que escuta: “O papo dos caras é: ‘ele mora nos Estados Unidos e trabalha lá, então não pode falar do Brasil’, ‘ele prosperou na carreira, como pode ser de esquerda?’, ‘não é gay e defende gay’, ‘não é preto e defende preto’.”

O ator expressou o desejo de dialogar com pessoas de direita sobre questões como o tamanho do Estado e os níveis de gastos públicos. Ele afirmou que esse tipo de debate é prejudicado pelas disputas identitárias. “Eu queria ter uma interação com a direita e poder conversar com eles sobre os assuntos que essa peça traz. Acho uma discussão superválida. O Estado tem que ser pequeno ou grande? Quanto o Estado tem que gastar? Isso é fundamental (…) Essa discussão é muito boa, mas ela não acontece”, declarou, referindo-se à peça ‘O Julgamento’, que está em cartaz na Europa.

Moura também comentou sobre a atual polarização política, destacando uma mudança na forma como esquerda e direita se relacionam. “Eu lembro de uma época em que esquerda e direita brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos não importam mais”, concluiu o ator, que vive nos Estados Unidos há cerca de oito anos com sua esposa, Sandra Delgado, e seus três filhos.

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