A previsão de arrecadação do governo federal para 2026 é de R$ 3,24 trilhões, o que corresponde a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB). Essa estimativa foi apresentada na proposta de Orçamento de 2027 enviada ao Congresso. Caso essa projeção se concretize, será o maior nível já registrado na série histórica do Tesouro Nacional, que teve início em 1997. Para o ano de 2027, a expectativa é que a receita chegue a R$ 3,46 trilhões, representando 23,4% do PIB.
O montante previsto para 2026 supera o recorde anterior, que foi alcançado em 2010, durante o último mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando a arrecadação equivalia a 23,6% do PIB. A média histórica de arrecadação entre 1997 e 2025 foi de 21,4% do PIB, conforme dados do Tesouro.
A receita total considera a soma de tributos federais e outras fontes de arrecadação, como royalties, concessões e dividendos. É importante ressaltar que esse cálculo não inclui as receitas de Estados e municípios, o que significa que não deve ser confundido com a carga tributária nacional, que atingiu 32,1% do PIB em 2024.
Um fator que contribui para o aumento das receitas é a maior arrecadação proveniente da exploração de petróleo, com uma expectativa de recebimento de R$ 172,1 bilhões em 2026, o que equivale a 1,3% do PIB, em comparação a R$ 139,3 bilhões em 2025, ou 1,1% do PIB. Essa alta é impulsionada pela valorização do petróleo no mercado internacional, especialmente em função do conflito no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, a economia apresenta sinais de desaceleração, com um crescimento do PIB de apenas 0,5% no segundo trimestre, inferior ao 1,1% registrado nos primeiros três meses do ano.
Nos últimos anos, o governo implementou diversas medidas para aumentar a arrecadação, incluindo mudanças na tributação de fundos exclusivos e offshores, aumento de impostos sobre combustíveis, reoneração da folha de pagamentos, taxação das apostas esportivas, elevação do Imposto sobre Operações Financeiras e redução de benefícios fiscais. Além disso, foram realizadas alterações na tributação de juros sobre capital próprio e fintechs, aumento do imposto de importação de mais de mil produtos e a criação de um imposto de exportação sobre petróleo.
O governo reconhece que as medidas adotadas nos últimos anos têm um impacto significativo nas contas da União. Embora a previsão de receita para 2026 seja recorde, a equipe econômica estima um superávit primário de R$ 18,6 bilhões para 2027. No entanto, a expectativa é que o desempenho fiscal deste ano seja deficitário, conforme análise de especialistas.

