O coordenador da campanha de Lula em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, abordou em entrevista a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Carvalho afirmou que Moraes "não fez nada além do que realmente tinha a obrigação de fazer" ao defender a democracia e ressaltou que isso não lhe confere um "salvo-conduto, blindagem ou direito de não se explicar".
As declarações de Marco Aurélio surgem em resposta à estratégia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca associar a imagem de Lula à de Moraes. O coordenador da campanha tentou inverter essa narrativa, afirmando que o ministro está "muito mais no colo da direita brasileira". Ele lembrou que Moraes sempre foi visto como antipetista, tendo sido indicado pelo ex-presidente Michel Temer e votado pela manutenção da prisão de Lula, o que, segundo ele, deve ser considerado na atual discussão.
Durante a entrevista, Marco Aurélio elogiou a atuação de Moraes, reconhecendo seu trabalho na defesa das instituições democráticas, que, segundo ele, foi "louvável, corajoso e necessário". No entanto, ao ser questionado sobre um possível afastamento do ministro, o advogado optou por não emitir uma opinião clara, afirmando que os fatos que vieram à tona são "muito graves e não podem ser relativizados", mas que ele não se sentia à vontade para fazer juízos de valor complementares.
O coordenador também comentou o pedido de vista do ministro Flávio Dino sobre a abertura de investigação contra Moraes, observando que essa decisão atrasou a resposta do STF. Para Marco Aurélio, essa medida teve um efeito positivo, pois retirou do foco um tema que não deveria estar central nas eleições, merecendo reconhecimento.
Sobre André Mendonça, ele mencionou que houve falhas na condução dos inquéritos, mas fez um elogio ao ministro por sua postura na condução do inquérito que envolve o filho do presidente Lula. Marco Aurélio, que fundou o Grupo Prerrogativas, que congrega advogados favoráveis ao PT, tem uma trajetória marcada pela defesa do ex-presidente durante a Lava Jato e pela participação na formação da chapa com Geraldo Alckmin (PSB) nas eleições de 2022.
Além de suas atividades na campanha, o advogado também defende Lulinha, filho mais velho do presidente, que é alvo de três inquéritos no STF. Marco Aurélio anunciou que, se Lula for reeleito, pretende propor a criação de uma Secretaria Especial da Nova Reforma do Judiciário, a ser vinculada ao Ministério da Justiça. Essa proposta inclui a definição de mandatos de 12 a 15 anos para ministros do STF e a exigência de idade mínima de 45 a 50 anos para ingresso na Corte, além de um Código de Ética e regras que regulem a advocacia de parentes de ministros.

