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Ponta Grossa pleiteia a inclusão do contorno ferroviário no projeto da Malha Sul

As linhas férreas atravessam espaços urbanos em Ponta Grossa – Foto: Guilherme Gruber/aRede. A nova concessão da Malha Sul pode representar uma oportunidade para Ponta Grossa enfrentar um dos principais desafios estruturais relacionados à sua posição como polo logístico do Paraná: a convivência entre a operação ferroviária e a área urbana. A avaliação consta do […]


As linhas férreas atravessam espaços urbanos em Ponta Grossa –

A nova concessão da Malha Sul pode representar uma oportunidade para Ponta Grossa enfrentar um dos principais desafios estruturais relacionados à sua posição como polo logístico do Paraná: a convivência entre a operação ferroviária e a área urbana. A avaliação consta do Ofício 88/2026, encaminhado pelo Conselho de Desenvolvimento de Ponta Grossa à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), no âmbito da Audiência Pública nº 11/2026.

O documento defende que o Contorno Ferroviário de Ponta Grossa seja incorporado à modelagem da futura concessão, seja no Programa de Exploração da Ferrovia, no caderno de obrigações ou em instrumento contratual equivalente do Corredor Paraná–Santa Catarina. Para a entidade, a discussão não deve ser limitada ao custo de construção de uma nova infraestrutura, mas considerar os efeitos econômicos e sociais que a manutenção dos atuais gargalos pode produzir durante décadas.

Ponta Grossa ocupa uma posição estratégica na malha ferroviária paranaense. A concentração de atividades industriais, a movimentação de cargas, os empreendimentos econômicos e a conexão entre diferentes modais fazem do município um ponto relevante para o Corredor Paraná–Santa Catarina e para a competitividade dos Campos Gerais.

Ao mesmo tempo em que essa localização cria oportunidades econômicas, ela também produz desafios. Parte significativa da operação ferroviária permanece inserida no tecido urbano, interferindo na circulação de veículos e pedestres, no planejamento territorial e na própria eficiência da movimentação dos trens.

Um levantamento municipal associado ao Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) de 2019 identificou 32 passagens em nível na área urbana de Ponta Grossa. Segundo o Conselho, o número evidencia que o conflito entre ferrovia e cidade possui caráter estrutural e não pode ser solucionado apenas por intervenções pontuais.

VÍDEO

Assista à entrevista completa com Priscilla Garbelini Jaronski, presidente do Conselho de Desenvolvimento de Ponta Grossa. | Autor: aRede.info

Mais do que uma obra viária

A principal mudança defendida pelo Conselho é alterar a forma como o Contorno Ferroviário é analisado. Em vez de tratá-lo apenas como uma obra destinada a resolver problemas de trânsito dentro de Ponta Grossa, a proposta é considerá-lo um investimento de infraestrutura logística com efeitos sobre toda a região.

Isso ocorre porque a retirada do tráfego ferroviário de passagem das áreas urbanas consolidadas poderia produzir impactos simultâneos sobre a operação dos trens e sobre a cidade.

Entre os potenciais benefícios apontados estão a redução das passagens em nível associadas ao tráfego de passagem, o aumento da velocidade média dos trens, a redução de paradas e manobras, maior previsibilidade dos fluxos ferroviários e diminuição dos riscos de acidentes e interrupções no sistema viário.

A mudança também poderia produzir efeitos sobre o desenvolvimento urbano. Com menor interferência da ferrovia na área consolidada, haveria maior flexibilidade para o planejamento e a expansão da cidade, além da possibilidade de futura requalificação de áreas hoje condicionadas pela infraestrutura ferroviária, respeitadas as questões dominiais, regulatórias e ambientais.

O que está sendo defendido?

– Inclusão do Contorno Ferroviário de Ponta Grossa na nova concessão da Malha Sul;

– Previsão da obra no Programa de Exploração da Ferrovia, no caderno de obrigações ou instrumento equivalente;

– Definição de responsabilidades, planejamento, cronograma e fonte de financiamento;

– Caso a obra integral não possa ser incluída imediatamente, criação de mecanismo contratual que permita sua incorporação posteriormente;

– Avaliação dos benefícios ao longo de todo o ciclo da concessão, e não somente do investimento inicial.

O custo de não agir

Um dos principais argumentos apresentados no documento é que uma decisão de infraestrutura de longo prazo não pode considerar somente o chamado investimento inicial, ou CAPEX.

Na avaliação do Conselho de Desenvolvimento, manter a configuração atual também gera custos. Entre eles estão perdas de eficiência operacional, riscos de acidentes, interrupções do sistema viário, custos logísticos, limitações à expansão urbana e possíveis impactos sobre a chegada de novos investimentos.

Por isso, uma alternativa com menor custo de implantação pode não necessariamente representar a solução economicamente mais vantajosa ao longo de décadas. O documento defende que a comparação entre as alternativas considere também segurança, capacidade, eficiência operacional, manutenção, impactos urbanos, desapropriações, riscos de implantação, benefícios logísticos, ganhos de produtividade e efeitos sobre o desenvolvimento regional.

A retirada do tráfego ferroviário de passagem das áreas urbanas consolidadas poderia produzir impactos simultâneos sobre a operação dos trens e sobre a cidade. |  Foto: Guilherme Gruber/aRede.

Impacto sobre novos investimentos

A relação entre infraestrutura e atração de investimentos aparece como um dos pontos centrais da manifestação.

Indústrias, centros de distribuição e novos empreendimentos logísticos dependem de infraestrutura capaz de oferecer segurança, capacidade, confiabilidade e previsibilidade. Na avaliação do Conselho, gargalos estruturais na malha ferroviária podem reduzir a eficiência do sistema e limitar a capacidade de Ponta Grossa e dos Campos Gerais de atrair novas atividades econômicas.

A questão ganha relevância diante do perfil econômico da região. Uma infraestrutura ferroviária mais eficiente pode beneficiar não apenas o deslocamento das cargas, mas também as decisões empresariais relacionadas à localização de fábricas, armazéns, centros de distribuição e outros empreendimentos que dependem de conexão logística.

Nesse cenário, o Contorno seria tratado como parte de uma estratégia mais ampla de competitividade regional.

Por que Ponta Grossa é estratégica?

Segundo o documento apresentado à ANTT, a posição de Ponta Grossa combina:

– Entrocamento ferroviário

– O município está entre os principais pontos de conexão ferroviária do Paraná.

– Atividade industrial

– A concentração de atividades industriais aumenta a importância da eficiência no transporte de cargas.

– Movimentação logística

– A conexão com diferentes modais amplia o papel do município na circulação de mercadorias.

Na avaliação do Conselho, gargalos estruturais na malha ferroviária podem reduzir a eficiência do sistema e limitar a capacidade de Ponta Grossa e dos Campos Gerais de atrair novas atividades econômicas. |  Foto: Guilherme Gruber/aRede.

Integração regional

A posição de Ponta Grossa influencia diretamente a competitividade dos Campos Gerais e do Corredor Paraná–Santa Catarina.

A manifestação do Conselho sustenta que Ponta Grossa não deve ser vista apenas como um ponto de passagem das cargas ferroviárias. A posição geográfica do município permitiria que ele desempenhasse papel ainda mais relevante na integração logística do Paraná, desde que sejam enfrentados os conflitos entre ferrovia, sistema viário, ocupação urbana, aeroporto e expansão industrial.

Nesse sentido, a retirada do tráfego ferroviário de passagem da área urbana poderia representar mais do que uma melhoria local. A expectativa apresentada no documento é de uma infraestrutura capaz de aumentar a competitividade logística e criar condições para o crescimento econômico das próximas décadas.

O Conselho reconhece, entretanto, que o Contorno Ferroviário representa investimento inicial superior ao de alternativas localizadas. A defesa da proposta está justamente na avaliação de seus benefícios acumulados ao longo do período da concessão.

A manifestação encaminhada à ANTT solicita ainda que, caso a inclusão imediata da obra integral não seja tecnicamente possível, seja criado um mecanismo contratual com marcos objetivos, critérios técnicos, responsabilidades e fontes de financiamento para sua posterior incorporação.

O que ainda precisa avançar?

O documento não apresenta o Contorno Ferroviário como uma obra já definida. A proposta é que a nova concessão estabeleça condições para que o empreendimento avance por etapas, envolvendo estudos, validação, projeto, licenciamento e execução.

O Conselho também ressalta que valores históricos das alternativas analisadas no EVTEA precisam ser atualizados e equalizados antes de uma comparação econômica definitiva.

A discussão, portanto, está relacionada à inclusão do empreendimento no planejamento da nova concessão e à criação de condições institucionais para seu desenvolvimento.

A infraestrutura ferroviária que for definida para a região terá efeitos por décadas, portanto o Conselho se preocupa em tornar a nova concessão em um projeto planejado, responsável e com financiamento definido. |  Foto: Guilherme Gruber/aRede.

A janela aberta pela nova concessão

Para o Conselho de Desenvolvimento, a nova concessão da Malha Sul abre uma oportunidade para transformar uma demanda histórica em um empreendimento com planejamento, responsabilidades, cronograma e financiamento definidos.

A entidade solicita à ANTT a inclusão do Contorno no planejamento da concessão e uma manifestação técnica específica sobre as alternativas para os conflitos ferroviários existentes em Ponta Grossa.

A infraestrutura que for definida para a região terá efeitos por décadas. Por isso, a tese apresentada é que a decisão não deve considerar apenas quanto custará construir determinada solução, mas também quanto custa manter os atuais gargalos e quais ganhos podem ser obtidos com uma infraestrutura ferroviária mais segura, eficiente e integrada.



Fonte:A Rede PG

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