A oposição no Senado decidiu, na noite de 5 de novembro, suspender a divulgação dos votos já declarados a Rogério Marinho na eleição para a presidência da Casa, marcada para 1º de fevereiro. O motivo foi exposto por um senador ouvido por Branca Nunes: "Muitos estão com medo de retaliações por parte do STF." Divulgar os nomes, acrescentou, seria colocar "um alvo nas costas desses parlamentares".
O mesmo senador relatou que o governo teria posto cerca de 40 cargos em autarquias à disposição de Davi Alcolumbre, para distribuir em troca de apoio. Enquanto o Planalto acena com a recompensa, a Corte sugere o castigo, segundo o relato.
Em 2019, quando o Senado decidiu abrir o voto para a escolha de seu presidente, Dias Toffoli derrubou a decisão por liminar, de madrugada. Desde então, a Casa aprendeu que um senador como Marcos do Val pode ter o gabinete vasculhado por ordem de Alexandre de Moraes, e que pedidos de impeachment de ministros adormecem na gaveta da presidência. Alcolumbre, guardião dessa gaveta, tornou-se menos o chefe de um Poder do que o serviçal do partido-corte, segundo a análise.

