No sábado, dia 27, um segundo voo está programado para levar um hospital de campanha, que incluirá uma equipe médica, medicamentos, insumos cirúrgicos e cem purificadores de água com capacidade para produzir cinco mil litros de água potável diariamente. Esses recursos serão doados à Defesa Civil da Venezuela. A coordenação da operação está a cargo da Agência Brasileira de Cooperação, ligada ao Ministério das Relações Exteriores, e faz parte de um esforço internacional que já conta com a colaboração de equipes das Nações Unidas, do México e da Suíça, que enviaram 80 socorristas e 18 toneladas de equipamentos, além dos Estados Unidos, que se comprometeram a enviar equipes de resgate por determinação de Donald Trump.
Lula também estabeleceu contato telefônico com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com o objetivo de expressar a solidariedade do Brasil e discutir a melhor forma de apoiar o país afetado. Em resposta, Rodríguez decretou estado de emergência nacional e fez um apelo à comunidade internacional para a prestação de assistência. O governo venezuelano anunciou a criação de um fundo inicial de 200 milhões de dólares, com recursos do Fundo Monetário Internacional, destinado à reconstrução de hospitais, moradias e demais equipamentos públicos destruídos pelos tremores.
Os números mais recentes indicam que já foram contabilizados 188 mortos e mais de 1.500 feridos, além de cerca de 200 pessoas ainda presas sob escombros e 250 edifícios danificados ou completamente destruídos. O estado de La Guaira foi declarado zona de catástrofe, enquanto o Aeroporto Internacional Simón Bolívar, localizado em Maiquetía, teve suas operações suspensas devido a danos severos na infraestrutura. As aulas em todo o país foram suspensas indefinidamente, com muitas escolas sendo transformadas em abrigos e centros de coleta de doações.
A Venezuela, que enfrenta um regime sob sanções internacionais, encontra na cooperação brasileira uma das poucas alternativas para o acesso humanitário. O Brasil não rompeu suas relações diplomáticas com Caracas, mesmo após as eleições contestadas de 2024, e mantém sua embaixada em funcionamento na capital venezuelana, o que facilita a logística da missão humanitária em curso.

