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Críticas de Estadão e Folha às ações de Lula revelam preocupações eleitorais

A poucos meses das eleições, medidas do governo Lula geram polêmica. Jornais destacam a possível motivação eleitoral por trás de iniciativas como o programa 'Brasil Contra o Crime Organizado' e a revogação da taxa das blusinhas.

A proximidade das eleições presidenciais tem gerado um clima de críticas em relação às ações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo manifestaram preocupações sobre a motivação eleitoral por trás de recentes medidas anunciadas pelo Palácio do Planalto.

Em um editorial, o Estadão descreveu o programa "Brasil Contra o Crime Organizado" como uma estratégia de marketing destinada a garantir vantagens eleitorais. O jornal argumentou que a iniciativa foi lançada "às vésperas da campanha eleitoral" e carece de tempo suficiente para a implementação de ações estruturais necessárias na segurança pública.

O programa abrange uma série de ações voltadas para o combate a facções criminosas, tráfico de armas e a melhoria do sistema penitenciário, com um investimento total de R$ 11 bilhões. No entanto, o Estadão apontou que apenas R$ 1 bilhão viria diretamente do Orçamento da União, enquanto o restante dependeria de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social a Estados e municípios.

Além disso, a crítica se estendeu à falta de uma coordenação eficaz entre os diferentes níveis de governo e as instituições de segurança, como polícias, Ministério Público e Judiciário. A publicação reiterou que segurança pública requer planejamento meticuloso e investimentos contínuos, afirmando que "não se improvisa em segurança pública".

Por sua vez, a Folha focou na revogação da chamada "taxa das blusinhas", um imposto de 20% sobre importações de até US$ 50, que havia sido aprovado para 2024. A decisão do governo foi considerada um indicativo de que a administração está disposta a abrir mão da prudência fiscal em prol da corrida eleitoral.

Esse imposto, que incidia principalmente sobre compras feitas em plataformas chinesas, tinha o apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad com a justificativa de combater fraudes e aumentar a arrecadação. A revogação da taxa, que gerava cerca de R$ 5 bilhões anualmente, ocorre em um contexto de déficit fiscal projetado em quase R$ 60 bilhões para este ano.

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