O delegado Antônio Carlos Knoll, encarregado do inquérito que investiga Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra o presidente Lula, finalizou a apuração sem realizar diligências e sem ouvir os envolvidos, em um procedimento considerado acelerado. Os pedidos de investigação feitos pela defesa do senador foram negados, e Knoll não aguardou a manifestação da Procuradoria Geral da República antes de concluir o caso.
A investigação foi originada a partir de uma solicitação de uma deputada do PT, após Flávio Bolsonaro ter comentado sobre uma reunião emergencial convocada por Lula no início de janeiro, que tratou da operação dos EUA que resultou na prisão de Nikolas Maduro. Em sua postagem, o senador insinuou que uma possível delação do ex-ditador venezuelano poderia envolver o presidente.
Em uma rede social, Flávio declarou: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas". Para o delegado Knoll, as afirmações feitas pelo senador caracterizam uma imputação falsa ao presidente Lula sobre crimes como tráfico internacional de drogas e armas, além de lavagem de dinheiro, que são tipificados no ordenamento jurídico brasileiro.
O delegado também destacou que não há dúvidas sobre a autoria da postagem, afirmando que a própria defesa de Flávio, ao solicitar diligências, reafirma sua responsabilidade. Entre as diligências solicitadas e negadas estão informações sobre a reunião convocada por Lula e cópias de processos na Justiça Federal de Nova York, além de oitivas de figuras como a ex-deputada venezuelana María Corina Machado e o procurador dos EUA Walter Joseph.
Os advogados de Flávio Bolsonaro manifestaram em nota que a falta de oitiva de Lula pela Polícia Federal contraria a própria posição da corporação, que anteriormente havia indicado a necessidade de aprofundar a investigação, citando um vazio probatório. Eles afirmaram que as diligências poderiam demonstrar a veracidade das afirmações do senador, o que tornaria a acusação de calúnia infundada.
A defesa criticou a decisão da Autoridade Policial de considerar irrelevante a apuração da veracidade do fato imputado. No relatório final, Knoll concluiu pela existência de calúnia, baseando-se na alegação de que o fato era falso, o que gerou uma contradição que impediu a produção de provas que poderiam beneficiar a defesa. Essa situação levanta dúvidas sobre a verdadeira intenção da investigação.

