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Editorial do Washington Post critica atuação do STF e vê perseguição a Flávio Bolsonaro

Jornal norte-americano questiona concentração de poderes na Corte e cita Moraes; texto também cobra reconhecimento da derrota eleitoral pelo senador.

O conselho editorial do The Washington Post publicou, na quarta-feira (28), um texto em que classifica como perseguição o tratamento dispensado à família Bolsonaro pela Justiça brasileira e questiona a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) após a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do país. O editorial criticou a concentração de poderes na Corte e apontou possíveis excessos na condução de investigações judiciais.

Intitulado "When judges become prosecutors" ("Quando juízes se tornam promotores", em tradução livre), o artigo sustenta que as apurações envolvendo Flávio, relacionadas a possíveis crimes financeiros, podem ter fundamento. O problema, , estaria na atuação de magistrados que, na avaliação do conselho editorial, acumulam funções de investigação, acusação e julgamento.

O texto direciona críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, por sua atuação em inquéritos sobre desinformação e ameaças à democracia. O jornal afirma que os poderes exercidos pelo magistrado, incluindo medidas contra contas individuais e plataformas digitais, levantam preocupações sobre as garantias do devido processo legal. O editorial também menciona o presidente Lula (PT) e sua trajetória judicial para defender que as garantias processuais devem valer independentemente de quem seja o investigado. "Os princípios do devido processo legal que protegeram Lula não perdem a importância quando o acusado se chama Bolsonaro", afirma o texto.

Apesar das críticas à Justiça brasileira, o Washington Post ressalta que Flávio deveria se preparar para exercer a oposição após a derrota nas urnas, em vez de permanecer nos Estados Unidos. O jornal condena a resistência em aceitar o resultado eleitoral e sustenta que democracias dependem tanto do reconhecimento das derrotas quanto da confiança no sistema judicial.

A saída do senador ocorreu após Moraes determinar a entrega de seus passaportes, em meio a investigações sobre possíveis irregularidades financeiras. Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, acompanhado da família, e chegou aos Estados Unidos no dia seguinte. Segundo informações publicadas pelo próprio Washington Post, o senador e familiares receberam vistos norte-americanos. A viagem ocorreu dois dias depois da derrota de Flávio para Lula no segundo turno da eleição presidencial. O senador havia sido proibido de deixar o país e deveria entregar os documentos de viagem por determinação judicial.

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