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Governo brasileiro enfrenta dificuldades nas negociações tarifárias com os EUA

A negociação entre Brasil e Estados Unidos enfrenta desafios, com o governo reduzindo expectativas sobre tarifas. O USTR propõe 25% sobre produtos brasileiros, com audiência pública marcada para julho.

Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão avaliando que os Estados Unidos demonstram uma resistência considerável em flexibilizar sua posição nas negociações comerciais com o Brasil. A proposta do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugere a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com uma definição sobre o assunto prevista para até 15 de julho.

Antes da decisão, o USTR realizará uma audiência pública em Washington, agendada para 6 de julho. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência da República, inscreveu-se para participar do evento e terá um tempo de cinco minutos para expor suas considerações. O governo brasileiro, por sua vez, decidiu manter as negociações através dos canais diplomáticos e institucionais já existentes.

Nos bastidores do Palácio do Planalto, a percepção é de que a discussão comercial pode adquirir contornos eleitorais. Assessores do presidente Lula afirmam que a estratégia oficial continuará a se concentrar em negociações conduzidas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE).

A preocupação do governo aumentou após o presidente americano Donald Trump compartilhar um artigo que descrevia a situação brasileira como um possível teste para o avanço de movimentos conservadores na América Latina. Integrantes do governo Lula veem a participação de Flávio Bolsonaro na audiência como uma tentativa de se posicionar politicamente em um debate que ganhou destaque após suas declarações em 2025, quando elogiou a imposição de sobretaxas por Trump.

Apesar de sua postura anterior, o parlamentar comunicou ao USTR que defenderá uma solução negociada para o impasse comercial. No documento de inscrição para a audiência, Flávio se posiciona contra a adoção de tarifas sobre produtos brasileiros e eventuais restrições ao sistema de pagamentos Pix.

Com as conversas em andamento entre Brasília e Washington, membros da equipe de Lula reconhecem que as chances de reverter completamente a proposta tarifária diminuíram nas últimas semanas. A avaliação é de que os argumentos apresentados pelo governo brasileiro não foram suficientes para mudar as conclusões preliminares da investigação conduzida pelos Estados Unidos.

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