O governo do Brasil, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou a dispensa do embaixador da Argentina no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi. A partir de agora, as relações diplomáticas entre os dois países serão geridas apenas pelo encarregado de negócios argentino em Brasília. A comunicação oficial foi feita pelo Itamaraty na terça-feira, 4.
O embaixador Raimondi foi informado de que poderá retornar a Buenos Aires, o que significa que não participará mais das negociações diplomáticas entre Brasil e Argentina. A decisão também implica que o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, permanecerá no Brasil, evidenciando um ineditismo nas relações diplomáticas entre as nações vizinhas.
Essa medida é uma resposta direta às declarações feitas pelo presidente argentino, Javier Milei, que criticou publicamente Lula, chamando-o de "ladrão" e "presidiário" durante o lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo. Além disso, Milei se referiu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, como "lixo careca". As tensões se intensificaram nos dias subsequentes, levando Lula a convocar Raimondi para prestar esclarecimentos e a determinar o retorno de Bitelli a Brasília.
No último domingo, 2, Milei reiterou suas críticas em uma entrevista à emissora argentina LN+, afirmando que chamar alguém de ladrão é menos grave do que o ato de roubar. A crise diplomática entre Brasil e Argentina tornou-se um assunto de destaque, especialmente após as declarações ofensivas de Milei.
Integrantes do governo brasileiro consideram que a decisão de rebaixar as relações diplomáticas com a Argentina tem um peso semelhante à revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, também anunciada no dia 4. Embora ela permaneça nos Estados Unidos, está impossibilitada de exercer suas funções diplomáticas normalmente.
A medida adotada pelo Itamaraty ficará em vigor enquanto as críticas do presidente argentino continuarem, refletindo um novo capítulo nas relações entre Brasil e Argentina, que, nos últimos anos, já enfrentaram diversos altos e baixos diplomáticos.

