O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destinou ao menos R$ 1,5 milhão para veicular anúncios que promovem o fim da escala 6×1, prevista para 2026. O levantamento, que foi realizado com base nos dados da Meta Ad Library, mostra que esse valor máximo foi investido entre 1º de janeiro e 22 de abril. O site Poder360, responsável pela análise, evidenciou que a maior parte do montante foi aplicada entre os dias 15 e 18 de abril, período que coincide com a apresentação oficial da proposta e a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Durante esses dias, o governo alocou R$ 881 mil em anúncios específicos, direcionados a usuários com idades entre 18 e 44 anos, em estados como São Paulo, Bahia e Minas Gerais. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) esclareceu que o investimento publicitário é baseado em critérios técnicos, com o objetivo de alinhar a divulgação das ações do governo aos novos hábitos de consumo de informação da população.
A tramitação da proposta de redução da jornada de trabalho avançou na CCJ, que aprovou a admissibilidade da medida em 22 de abril. O colegiado analisou em conjunto a PEC 221/2019, proposta por Reginaldo Lopes (PT-MG), e a PEC 8/2025, apresentada por Erika Hilton (Psol-SP). O texto unificado agora segue para uma comissão especial, que foi criada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Entretanto, o governo busca a substituição do relator Paulo Azi (União Brasil-BA), considerando que ele possui uma visão divergente da proposta governamental. Enquanto Azi defende uma transição gradual para uma jornada de 40 horas semanais com compensações para as empresas, o governo propõe a implementação imediata da nova jornada, sem levar em conta as repercussões econômicas.
Nesse cenário, Hugo Motta pretende acelerar a tramitação do projeto, com a expectativa de que o texto seja levado ao plenário da Câmara em maio, antes do recesso de julho. Para que a medida seja aprovada, é necessária uma maioria qualificada de três quintos dos votos no plenário.

