No começo de outubro, o El Niño Costeiro apresentou uma intensidade excepcional, com registros de temperatura no Oceano Pacífico, nas proximidades das costas do Peru e do Equador, alcançando níveis sem precedentes. A anomalia térmica, observada na área conhecida como Niño 1+2, atingiu +5,3°C, um aumento em relação aos +4,8°C da semana anterior, conforme dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
Este aumento significativo na temperatura da superfície do mar coloca o fenômeno em uma condição extraordinária. O Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), também monitorado pela NOAA, indica que os níveis de aquecimento estão próximos dos recordes verificados em 1983, ano marcado por um dos episódios mais intensos de El Niño já registrados.
É importante ressaltar que o El Niño Costeiro difere do El Niño clássico, que abrange uma área mais extensa do Pacífico Equatorial e pode ocasionar alterações climáticas em várias regiões do mundo. No caso do fenômeno costeiro, o aquecimento é concentrado nas águas adjacentes ao Peru e ao Equador, resultando em efeitos atmosféricos predominantemente regionais.
As consequências do aquecimento já são visíveis, com cidades peruanas como Lima, Tumbes e Piura registrando temperaturas acima da média, com máximas que chegam a 35°C no norte do país.
Paralelamente, o El Niño Costeiro ocorre em conjunto com um El Niño clássico que está em processo de intensificação no Pacífico. Em setembro, a NOAA reportou uma probabilidade superior a 90% de que um episódio muito forte se desenvolva durante o outono e inverno do Hemisfério Norte. O Painel El Niño, composto por instituições brasileiras como INMET, INPE e Cemaden, estima uma probabilidade de 95% de que a intensidade seja elevada entre outubro e dezembro.
No Brasil, a situação requer atenção especial, especialmente na região Sul, onde o boletim oficial prevê chuvas acima da média. Em contrapartida, áreas do Norte e Nordeste podem enfrentar um agravamento da seca. A MetSul prevê que o mês de outubro deverá apresentar uma frequência elevada de chuvas intensas, temporais e episódios de precipitação excessiva, particularmente nos três estados do Sul e em São Paulo.

