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Investigação da PF revela tentativas de negócios entre Sócia de Lulinha e empresário do INSS

A Polícia Federal investiga a atuação de Roberta Luchsinger, Sócia de Lulinha, em negociações envolvendo o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes. As tratativas incluíam fornecimento de produtos ao Ministério da Saúde e estão ligadas à Operação Sem Desconto.

A atuação de Roberta Luchsinger, lobista e sócia de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, está sob investigação da Polícia Federal (PF). A apuração se concentra nas tentativas de viabilizar negócios de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, com o governo federal. Mensagens obtidas pela PF indicam que Roberta buscava a participação de Lulinha nas negociações junto ao Ministério da Saúde, que envolviam produtos derivados de canabidiol e kits para testes de dengue. No entanto, nenhum dos contratos foi efetivado.

As comunicações fazem parte de um inquérito aberto pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que visa esclarecer a atuação dos envolvidos. O material coletado está sob sigilo, mas os investigadores consideram que os diálogos evidenciam a dependência das demandas de Antunes em relação à intervenção de Lulinha, além do papel de Roberta em conectar interesses privados ao governo.

Em uma conversa datada de 23 de janeiro de 2025, Roberta discutiu com Gustavo Gaspar, um empresário envolvido nas tratativas, a pressão exercida por Antunes para que as negociações avançassem. A PF apontou que Roberta havia mencionado a necessidade da atuação de Lulinha nas discussões com o governo. Poucos dias depois, em 27 de janeiro, Roberta tratou novamente do assunto com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, expressando urgência nas negociações relacionadas aos kits de dengue.

A PF também observou que Roberta frequentemente se dirigia a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, buscando apoio para acelerar as tratativas. Em março de 2024, ela cobrou Marcola sobre a urgência dos negócios com Antunes. Em maio, Roberta reiterou a necessidade de que Lulinha estivesse mais envolvido, afirmando: “Temos q colocar Fábio em cima do berge”. Em resposta, Marcola concordou com a proposta.

Em novembro do mesmo ano, Roberta revelou que Lulinha, que estava em Portugal, pediu que ela contatasse Marcola para que ele pressionasse Swedenberger em relação aos pedidos realizados. Para a PF, as mensagens demonstram uma articulação clara para promover interesses privados junto a agentes da administração pública.

Um dos negócios em questão envolvia a tentativa de fornecimento de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com um pagamento de R$ 1,5 milhão à consultoria de Roberta durante as tratativas. Contudo, o contrato não foi concretizado. Após esses eventos, Antunes se tornou um dos principais alvos da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a descontos indevidos em benefícios do INSS. Ele está preso desde setembro de 2025, enquanto Gustavo Gaspar também foi detido e atualmente cumpre prisão domiciliar.

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