Auxiliares já defendiam esse tipo de conteúdo durante o primeiro turno, mas Lula demonstrava resistência –
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliam que uma mudança na estratégia de comunicação pode ser decisiva para tentar reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais. Ao longo desta semana, Lula se reuniu com lideranças partidárias e candidatos eleitos para ouvir sugestões e ajustar a campanha para a reta final.
Uma das principais críticas feitas pela equipe do presidente foi a baixa presença de Lula nas redes sociais. Para o segundo turno, a campanha pretende ampliar a atuação no ambiente digital e intensificar a mobilização nas ruas em busca de votos.
Conforme o Metrópoles, durante uma reunião com parlamentares nessa quarta-feira (7), Lula ouviu principalmente representantes da ala jovem sobre a necessidade de adotar novos formatos de conteúdo. Entre as sugestões está a gravação de vídeos no formato “selfie”, com o presidente falando diretamente para a câmera.
Auxiliares já defendiam esse tipo de conteúdo durante o primeiro turno, mas Lula demonstrava resistência. A avaliação dos aliados é de que os vídeos podem aproximar o candidato dos eleitores e criar uma comunicação mais direta nas redes sociais.
Segundo parlamentares que participaram do encontro, Lula reconheceu que não gosta de gravar nesse formato, mas admitiu a importância de se comunicar de maneira mais próxima com o público. O presidente teria brincado que passaria a acordar cedo para “falar com o celular” e prometeu publicar vídeos diariamente.
A mudança já começou a ser colocada em prática. Somente na quarta-feira, foram publicados nove vídeos no formato “selfie” no perfil oficial de Lula. Em três deles, o presidente aparece sozinho diante da câmera. Nos outros seis, ele está acompanhado de deputados federais recém-eleitos.
Em um dos vídeos, Lula convocou apoiadores a ocuparem as ruas em busca de votos. Em outro, comentou os números de abstenção registrados no primeiro turno.
Busca pela virada
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, enquanto Lula somou 45,16%. A diferença entre os dois candidatos foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Até lá, Lula terá 18 dias para tentar reverter a vantagem do adversário.
A coordenação da campanha também passou por mudanças nos últimos dias, em uma tentativa de reorganizar a estratégia eleitoral. Em um trecho de uma conversa com parlamentares que vazou, Lula criticou a organização da campanha e afirmou que esta foi a disputa presidencial “menos organizada” de que participou desde 1989.
Do outro lado, Flávio Bolsonaro vem ampliando o apoio político à candidatura. Partidos como Republicanos, União Brasil e PP formalizaram apoio ao candidato no segundo turno.
Jovens ganham espaço na campanha
Para reforçar a presença de Lula nas redes sociais, a campanha também aposta em parlamentares jovens que têm forte atuação nas plataformas digitais.
Após o resultado do primeiro turno, o deputado federal André Janones (Rede-MG), conhecido pela atuação nas redes, criou um canal no WhatsApp para mobilizar apoiadores. Em três dias, o grupo chegou a 2,1 milhões de seguidores.
Outra aposta é a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos. Ela recebeu 524.219 votos em Minas Gerais, ficando atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) na disputa pela Câmara dos Deputados no estado. Com uma campanha concentrada nas redes sociais, a parlamentar reúne cerca de 2,8 milhões de seguidores.
Ana Elisa é vista como uma das apostas para ampliar a votação de Lula em Minas Gerais, estado considerado estratégico para a disputa. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente do petista no estado por 588.612 votos.
A chamada “bancada jovem” também discute ações para mobilizar eleitores nas universidades, escolas e redes sociais.
A deputada federal eleita Rosa Amorim (PT-PE), de 29 anos, afirmou que o grupo pretende organizar uma agenda de mobilização da juventude. Entre as prioridades estão ações em universidades e o diálogo com jovens que votarão pela primeira vez.
A estratégia também busca levar para a campanha temas como educação, emprego, renda e segurança pública, em uma tentativa de apresentar aos eleitores mais jovens um projeto de futuro.
Fonte:A Rede PG

