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Mercado de Trabalho Formal Registra Desaceleração em Abril com Menor Geração de Vagas

O Caged revelou que abril apresentou um saldo de 85.888 novos postos de trabalho, uma queda significativa em relação ao mês anterior e ao mesmo período do ano passado. A desaceleração do mercado de trabalho é vista como gradual, com fatores como a alta nos juros impactando as contratações.

O saldo de empregos formais no Brasil durante o mês de abril mostrou um desempenho abaixo das expectativas, conforme os dados do Caged. O número de novas vagas foi de 85.888, uma queda expressiva em comparação com as 227.974 vagas criadas em março e também inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior, que foi de 238.216. No total acumulado de janeiro a abril, o saldo chega a 699.762 postos, uma diminuição em relação aos 913.827 postos do mesmo período de 2025. Nos últimos 12 meses, foram gerados 1.059.860 novos empregos.

André Valério, economista sênior do Inter, analisou que os dados do Caged, aliados ao que foi divulgado pela PNAD, indicam uma perda de dinamismo no mercado de trabalho, que deverá se manter em um patamar mais restritivo ao longo do ano. Ele ressaltou que a atividade econômica deve continuar a perder força, refletindo as condições adversas impostas por elevações nos preços e nas taxas de juros.

Leonardo Costa, economista do ASA, observou que, ao considerar a sazonalidade, o Caged apontou a criação de apenas 23 mil novas vagas em abril, o que representa o menor ritmo mensal desde o período de pandemia. A média móvel de três meses caiu para 120 mil postos, sendo que os dados de março haviam sido significativamente mais positivos, o que contribuiu para uma média elevada em abril.

Costa também destacou que a desaceleração na criação de empregos foi generalizada, especialmente nos setores de comércio e indústria, que apresentaram saldo negativo. Apesar disso, os setores de serviços e construção civil ainda mostraram crescimento, embora em um ritmo mais lento. O aumento nas demissões foi mais acentuado, enquanto as contratações diminuíram nesse mês.

O cenário atual do mercado de trabalho demonstra uma deterioração progressiva e suave, com uma taxa de desemprego que se mantém em níveis historicamente baixos, mas sem perspectivas de queda adicional. O economista do ASA advertiu sobre os riscos que esse contexto pode representar para a política monetária no combate à inflação.

Em relação à dinâmica salarial, a XP destacou uma moderação nos salários recentes. O salário nominal de admissão teve um aumento de 6,0% em relação ao ano anterior, mantendo-se na mesma média dos três meses anteriores. Por outro lado, o salário nominal de desligamento subiu 5,4% anuais, abaixo da média de 6,5% observada entre janeiro e março. Assim, o salário médio de admissão permaneceu estável em abril, enquanto o de desligamento caiu 0,8%.

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