A Meta começará nesta quarta-feira (20) uma nova fase de demissões em massa, afetando aproximadamente 8 mil funcionários, o que representa 10% do total de seu quadro global. Além disso, a companhia decidiu cancelar 6 mil vagas que estavam disponíveis, totalizando um impacto de 14 mil posições na reestruturação em curso.
Essa decisão ocorre em meio a um esforço da empresa para redirecionar seus recursos a investimentos na ordem de US$ 145 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial (IA), previstos até 2026. Em um memorando interno, a diretora de recursos humanos, Janelle Gale, apresentou as diretrizes para essa reestruturação, que visa estabelecer uma organização mais horizontal e ágil, com equipes menores e redução de cargos de gerência.
Além das demissões, 7 mil funcionários serão realocados para novas iniciativas relacionadas a fluxos de trabalho de IA, abrangendo as divisões Applied AI Engineering (AAI) e Agent Transformation Accelerator (ATA) XFN. Essas equipes têm como objetivo desenvolver agentes autônomos que possam executar tarefas atualmente desempenhadas por humanos.
Com essas mudanças, cerca de 20% da força de trabalho da Meta será impactada, considerando tanto os cortes quanto as transferências. Funcionários localizados na América do Norte foram orientados a trabalhar remotamente nesta quarta-feira, dia em que as notificações de desligamento estão programadas para serem enviadas. A empresa contava com 77.986 colaboradores no final de março e já antecipa novas rodadas de cortes até o final deste ano.
O atual movimento da Meta contrasta com o desempenho financeiro da empresa, que reportou um lucro de US$ 56,31 bilhões no primeiro trimestre de 2026. As demissões visam mitigar o aumento das despesas de capital previstas para o ano, que se concentram na construção de data centers e na aquisição de chips para treinamento de modelos de IA.
As mudanças têm gerado forte insatisfação entre os funcionários. De acordo com relatos, protestos têm ocorrido nos escritórios, com panfletos e mensagens de descontentamento na plataforma de comunicação corporativa chamada Workplace. Funcionários têm respondido a postagens de executivos com imagens de elefantes, numa referência ao "elefante na sala" relacionado às demissões.

