O atual ministro da Pesca, Édipo Araújo, gerou debate ao ter sido revelado que recebeu auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19, em 2020. Apesar de ter um salário que chegava a R$ 15 mil no Ministério da Agricultura e de estar vinculado a uma bolsa de doutorado internacional financiada pelo Ministério da Educação, Araújo foi contemplado com cinco parcelas do benefício, totalizando R$ 3 mil, conforme apurado.
O auxílio emergencial, instituído em 2020, visava apoiar trabalhadores informais, pequenos empresários e desempregados impactados pela crise sanitária. De acordo com informações do Portal da Transparência, Édipo Araújo recebeu cinco depósitos de R$ 600 entre os meses de abril e setembro daquele ano. Entretanto, após a constatação do recebimento indevido, o valor foi devolvido.
Durante o período em que Araújo recebeu o auxílio, ele cursava doutorado “sanduíche” na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, e na Universidade Federal do Pará, com apoio financeiro da CAPES, vinculada ao Ministério da Educação. Em meses diferentes, ele também ocupou um cargo no Ministério da Agricultura, onde sua remuneração chegou a R$ 15,6 mil mensais.
A assessoria do ministro esclareceu que os depósitos do auxílio emergencial ocorreram em momentos em que ele já recebia salários, mencionando que houve atrasos e pagamentos retroativos. A solicitação do benefício, segundo a equipe, foi feita antes da posse de Araújo em cargo público, o que explicaria a sobreposição dos valores creditados posteriormente.
Édipo Araújo ingressou no serviço público durante a administração de Jair Bolsonaro e, sob o governo de Luiz Inácio Lula, foi promovido ao cargo de ministro da Pesca, sucedendo André de Paula. O ministério é liderado pelo PSD, partido de Gilberto Kassab. Anteriormente, Araújo havia trabalhado sob a orientação de Jorge Seif, ex-secretário da Pesca durante o governo anterior.
A assessoria ainda destacou que parte das parcelas do auxílio foi creditada de forma retroativa devido a atrasos, e que o ministro não chegou a sacar os valores, que foram devolvidos automaticamente ao governo ao assumir a função pública, tornando-o inelegível para o benefício.

