Os agentes que influenciam a forma como o envelhecimento acontece ao longo da vida podem não vir apenas do interior do organismo. Embora os genes desempenhem um papel importante na maneira como cada pessoa envelhece, uma nova pesquisa internacional sugere que não é apenas a origem genética que importa, mas também o local onde a pessoa vive.
Segundo os cientistas, o ambiente ao redor é capaz de modificar o comportamento dos genes, o que significa que duas pessoas com ancestralidade semelhante podem apresentar padrões bastante diferentes de envelhecimento e riscos distintos para doenças ao longo da vida.
Os pesquisadores analisaram profundamente características biológicas de pessoas de diferentes regiões do planeta e descobriram que fatores ligados ao ambiente, ao estilo de vida e à localização geográfica interferem diretamente em processos relacionados ao metabolismo, à imunidade e até à velocidade do envelhecimento celular.
De acordo com o geneticista Michael Snyder, da Universidade Stanford, esta foi a primeira vez que cientistas conseguiram realizar uma análise tão abrangente envolvendo indivíduos de várias partes do mundo. Isso permitiu identificar quais características biológicas estavam mais relacionadas à ancestralidade e quais pareciam ser mais influenciadas pelo ambiente onde as pessoas vivem.
Os seres humanos possuem uma biologia extremamente complexa e são influenciados simultaneamente por inúmeros fatores, como genética, alimentação, clima, nível de poluição, acesso à saúde, estresse, atividade física, hábitos culturais e condições socioeconômicas. Separar o impacto de cada um desses elementos é um grande desafio para a ciência.
Os pesquisadores lembram que a migração faz parte da história humana há milhares de anos, mas os avanços tecnológicos dos últimos séculos aumentaram drasticamente a mobilidade global, permitindo que milhões de pessoas passem a viver muito longe de suas regiões de origem. Foi justamente esse fenômeno que ajudou os cientistas a comparar o impacto da genética e do ambiente sobre o corpo humano.
O estudo reuniu 322 participantes de diferentes partes do mundo, muitos deles presentes em conferências científicas internacionais. O grupo incluía pessoas com ancestralidade europeia, do leste asiático e do sul da Ásia. A análise revelou padrões biológicos específicos associados à origem genética.
Participantes de ascendência sul-asiática, por exemplo, apresentaram maior vigilância imunológica, um mecanismo em que o sistema imunológico permanece constantemente atento à presença de agentes invasores, como vírus, bactérias e outras substâncias estranhas ao organismo. Os pesquisadores acreditam que isso pode estar relacionado a uma exposição histórica maior a antígenos, moléculas capazes de ativar respostas imunológicas.
Já os indivíduos com ancestralidade do leste asiático demonstraram padrões específicos de metabolismo de gorduras, enquanto pessoas de origem europeia apresentaram microbiomas mais diversificados. O microbioma é o conjunto de microrganismos que vivem naturalmente no corpo humano, especialmente no intestino, e desempenha funções fundamentais para a digestão, o sistema imunológico, a produção de vitaminas e até a saúde mental. Um microbioma diversificado costuma estar associado a melhores condições gerais de saúde.
Entretanto, a pesquisa mostrou que viver longe da região de origem também provoca mudanças importantes no organismo. Um dos resultados mais surpreendentes envolveu a chamada idade biológica, que representa o grau de envelhecimento das células e tecidos do corpo, independentemente da idade cronológica da pessoa. Em outras palavras, duas pessoas com a mesma idade podem apresentar organismos biologicamente mais jovens ou mais envelhecidos, dependendo de fatores internos e ambientais.
Os cientistas observaram que participantes do leste asiático vivendo fora da Ásia Oriental apresentavam envelhecimento biológico mais acelerado em comparação aos que continuavam vivendo na região. Entre os participantes europeus, ocorreu o inverso: aqueles que viviam na Europa mostraram sinais mais avançados de envelhecimento biológico do que os europeus residentes na América do Norte.
Segundo o geneticista Richard Unwin, da Universidade de Manchester, foi impressionante perceber como a ancestralidade continuou influenciando fortemente a imunidade, o metabolismo e o microbioma, mesmo quando as pessoas se mudavam milhares de quilômetros de distância de seus locais de origem. Ao mesmo tempo, o estudo também deixou claro que o ambiente pode alterar vias biológicas fundamentais, inclusive aquelas relacionadas ao envelhecimento celular.
Os pesquisadores acreditam que essas diferenças sejam resultado de uma combinação de fatores. Entre eles estão mudanças alimentares, exposição à poluição, qualidade do sistema de saúde, níveis de estresse, hábitos de vida e alterações no microbioma intestinal após a mudança de país ou região. O microbioma parece desempenhar um papel particularmente relevante nesse processo. Certas bactérias intestinais foram associadas a alterações em moléculas gordurosas chamadas esfingolipídios, substâncias envolvidas em funções importantes das células.
Esses esfingolipídios também demonstraram relação com genes responsáveis pela manutenção dos telômeros, estruturas localizadas nas extremidades dos cromossomos que funcionam como uma espécie de proteção do material genético. Os telômeros costumam ser comparados às pontas plásticas dos cadarços, pois ajudam a impedir o desgaste do DNA ao longo do tempo. O encurtamento progressivo dos telômeros é frequentemente associado ao envelhecimento e ao aumento do risco de doenças relacionadas à idade.
Os cientistas destacaram ainda que níveis elevados de esfingolipídios já foram associados em pesquisas anteriores a maior risco de doenças cardiovasculares, resistência à insulina, aterosclerose — condição caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias — e doenças neurodegenerativas, como alguns tipos de demência.
Apesar das descobertas, os autores enfatizam que o estudo não significa que um grupo étnico envelheça “melhor” do que outro, nem que esses efeitos ocorram da mesma forma em todas as pessoas. O principal ponto levantado pela pesquisa é que a medicina e as recomendações nutricionais não podem seguir um modelo único para toda a população mundial. Segundo os pesquisadores, fatores como ancestralidade, local de residência, hábitos culturais e ambiente precisam ser considerados de maneira mais individualizada para que tratamentos e estratégias de prevenção sejam realmente eficazes.
Os cientistas afirmam que o estudo reforça a ideia de que a biologia humana é moldada simultaneamente pela herança genética e pelo ambiente em que cada indivíduo vive. Essa interação complexa entre genes e estilo de vida ajuda a explicar por que pessoas semelhantes geneticamente podem apresentar condições de saúde tão diferentes ao longo da vida e por que abordagens mais personalizadas tendem a representar o futuro da medicina preventiva e do tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento.
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Fonte:Paraná Jornal

