Nos últimos dias, o presidente Lula identificou um eixo programático para sua pré-campanha de 2026: a defesa da soberania nacional. Esta posição se contrapõe a Donald Trump e, por extensão, a Flávio Bolsonaro, que é acusado de subserviência a Washington. Em resposta, Bolsonaro tem adotado uma postura igualmente assertiva, empunhando a bandeira nacional e exaltando o hino, ao mesmo tempo em que repete a frase "Brasil acima de tudo".
Ambos os lados estão convocando um sentimento de amor à pátria, que é uma parte intrínseca da natureza humana, buscando dividir a população com base em quem demonstra mais amor pelo país. No entanto, essa abordagem acaba por reduzir uma virtude que é urgentemente necessária de ser revitalizada. Durante os últimos meses, raramente se ouviu, por parte de ambos os lados, uma reflexão profunda sobre o que realmente significa a pátria que afirmam amar.
O patriotismo, conforme discutido nas eleições de 2026, merece uma análise rigorosa. No dia 21 de abril de 1792, Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes, foi executado. Quase cem anos depois, a República, instaurada por um golpe de Estado positivista, sentiu a necessidade de um herói fundador, e o Tiradentes da história real foi convenientemente transformado em um símbolo.
O que se comemora atualmente é mais a figura construída pela República do que o homem histórico. O verdadeiro Tiradentes era um mineiro, dentista e oficial dos Dragões, que lutou ao lado de padres, poetas e médicos de Vila Rica por motivos concretos, como a liberdade e o amor à sua pátria. Sua morte foi um sacrifício por seu povo, não por uma democracia abstrata, mas por uma realidade palpável e por um modo de vida.
A República que emergiu posteriormente se baseou na destruição desse pertencimento enraizado, passando mais de um século ignorando essa realidade. Portanto, surge a pergunta: qual tipo de patriotismo um liberalismo brasileiro sério deve defender? O ideal é um patriotismo que valorize a dignidade do indivíduo, que não esteja subordinada ao coletivo, e que escolha, por um ato virtuoso, amar sua pátria e seus antepassados.
Trata-se de um patriotismo que requer uma formação sólida, incluindo o entendimento dos mitos fundacionais, desde o verdadeiro Tiradentes até Paraguaçu, e o grande Dom João VI, que unificou o país e impediu a fragmentação das colônias espanholas. Este patriotismo deve ser local: antes de amar o Brasil, é preciso amar as Minas Gerais e a Bahia; antes de amar os estados, deve-se amar as cidades de Belo Horizonte e Vitória da Conquista; o amor deve ser direcionado primeiramente aos lugares onde as pessoas vivem.

