O delegado Alberto Knoll, responsável pela documentação encaminhada ao STF, destacou que a atuação do jornalista não pode ser confundida com a conduta de sua fonte. Ele afirmou que o jornalista, em tese, está protegido pelo direito à liberdade de imprensa, amplamente reconhecido nos tribunais brasileiros. Em relação a Cutrim, Knoll observou que a ação de um agente público que acessa dados restritos e os divulga irregularmente pode, sim, configurar uma violação do sigilo funcional, conforme o artigo 325 do Código Penal.
Os investigadores da PF afirmaram que Luís Pablo mantém uma linha editorial crítica em relação a Flávio Dino, apresentando-o como um político influente contrário ao governo do Maranhão. Contudo, o relatório não atribui ao jornalista a prática de perseguição. Luís Pablo é conhecido por manter um site focado em política, onde publica suas reportagens.
Moraes autorizou a investigação apontando riscos à integridade física do ministro do STF, em razão das evidências materiais, como o envio de informações e discussões sobre as matérias publicadas. A investigação foi aberta a pedido de Dino e, inicialmente, ficou sob a relatoria de Cristiano Zanin, mas foi redistribuída após o presidente do STF, Edson Fachin, considerar que a apuração é semelhante a inquéritos sobre fake news e milícias digitais, ambos sob a relatoria de Moraes.
A primeira operação da PF levou à identificação de Raimundo Cutrim como fonte de Luís Pablo. O ex-secretário também é alvo de uma investigação relacionada ao assassinato de um funcionário da Secretaria de Educação do Maranhão, sob relatoria de Flávio Dino, que governou o estado entre 2015 e 2022. Após identificar a fonte, a PF solicitou uma nova busca e apreensão, que ocorreu na semana passada, atingindo diretamente Cutrim.

