Frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo expressaram que o governo federal deve enfrentar uma forte resistência no Congresso Nacional se decidir pela revogação da chamada "taxa das blusinhas". Essa discussão surge após setores do Palácio do Planalto começarem a defender a medida, embora ainda não exista uma posição oficial do governo sobre o assunto.
Parlamentares acreditam que o apelo popular por essa revogação pode ampliar o apoio político à proposta, especialmente em um ano eleitoral. No entanto, integrantes de frentes ligadas ao setor produtivo já sinalizam que planejam atuar contra a alteração. A isenção da taxa para compras internacionais de até US$ 50 foi aprovada em 2024, com a justificativa de proteger a indústria nacional, que enfrenta uma carga tributária mais elevada em comparação aos produtos importados.
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), que preside a Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, comentou que a revogação da taxa seria prejudicial para o setor. Ele destacou que "permitir a importação sem imposto é quebrar a indústria nacional, que já encontra dificuldade em um país de juros altíssimos e com uma população altamente endividada. É um atentado contra a produtividade brasileira".
Além disso, os parlamentares ressaltam que, caso a taxação seja revista, o governo deve considerar a redução de impostos sobre produtos nacionais, garantindo condições de competição mais justas. O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), integrante da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, indicou que está aberto ao debate, mas condiciona seu apoio à apresentação de compensações fiscais.
Ele afirmou: "E não basta ver a arrecadação com a importação. Depois disso, muita gente voltou a comprar no Brasil. Representantes da Renner me indicaram que a taxa aumentou as vendas deles nestes produtos em 11%. O quanto o governo arrecadou com isso? O governo está preocupado com o voto. Não vejo problema em discutir, só queremos que discutam em bases racionais".
Dados da Receita Federal apontam que a cobrança sobre encomendas internacionais gerou uma arrecadação de cerca de R$ 5 bilhões no último ano. As discussões sobre a revogação da taxa das blusinhas devem continuar a movimentar o cenário político, com implicações significativas para a indústria nacional e para a arrecadação pública até as eleições de 2026.

