A utilização de aspiradores robôs e outros dispositivos conectados levanta questões sérias sobre segurança, com relatos de invasores acessando câmeras e aparelhos sem o conhecimento dos usuários. Esses incidentes refletem um problema crescente à medida que mais pessoas adotam tecnologia em suas residências. O tema foi abordado por Matheus Castanho, tech lead da Huge Networks, durante o Podcast Canaltech, na terça-feira, 19.
Os ataques a dispositivos conectados são frequentemente realizados por meio de botnets, que são redes de aparelhos infectados e controlados remotamente por cibercriminosos. Um estudo indica que até 2025, cerca de 70% dos dispositivos de Internet das Coisas (IoT) continuarão vulneráveis a ataques. O Brasil está em uma posição alarmante, registrando 514 mil incidentes em apenas seis meses, ocupando a 6ª posição mundial tanto como alvo quanto como origem de ataques.
Castanho destaca que, uma vez que um invasor assume o controle de um dispositivo na rede de um usuário, as consequências podem ser graves, já que o invasor pode realizar múltiplas ações sem que o proprietário perceba. As TVs box, que transformam televisores comuns em smart TVs, são mencionadas como um alvo frequente. Muitas dessas caixas operam com versões desatualizadas do sistema, tornando-as suscetíveis a ataques.
Outro ponto crítico são as câmeras domésticas, que frequentemente possuem senhas padrão de fábrica que não são alteradas pelos usuários. Essa vulnerabilidade permite que invasores acessem transmissões ao vivo e explorem a rede para roubar informações ou instalar malware.
A inteligência artificial (IA) também desempenha um papel importante nesse cenário. Embora facilite a automação de ataques, a tecnologia pode ser utilizada para monitorar redes e identificar comportamentos suspeitos de forma mais eficiente. Castanho observa que, embora a IA possa aumentar a eficácia dos ataques, ela também pode aprimorar as medidas de segurança.
Detectar quando um dispositivo está comprometido continua sendo um desafio para o usuário comum. A rápida adoção de novos produtos muitas vezes ofusca a importância da segurança. Castanho enfatiza que os riscos se tornam mais evidentes com o tempo, assim como as consequências de eventuais invasões.

