A exploração do universo e suas origens acaba de ganhar um novo aliado com a simulação computacional COLIBRE, que representa a imagem mais fiel da evolução cósmica desde o Big Bang. Este projeto, conduzido por especialistas das universidades de Durham, Leiden e Portsmouth, utiliza o supercomputador COSMA8 para modelar a dinâmica da poeira e do gás galácticos frios, abrangendo o primeiro bilhão de anos após o evento primordial até os dias atuais.
O resultado é um "universo sintético" que se aproxima tanto da realidade que até mesmo astrônomos experientes podem ter dificuldade em diferenciar as galáxias simuladas das existentes. Carlos Frenk, membro da equipe, destaca o feito, afirmando que a simulação consegue reproduzir características como número, luminosidade, cor e tamanho das galáxias ao resolver as equações da física em um cenário de expansão do universo.
Diferente de simulações anteriores, que frequentemente ignoravam a presença de gás frio e poeira, o COLIBRE se destaca por incluir esses elementos essenciais. A formação de estrelas, por exemplo, ocorre a partir do colapso de nuvens frias sob a influência da gravidade, tornando esses componentes fundamentais para a compreensão da evolução galáctica. Joop Schaye, líder do projeto, afirma que essa foi uma adição significativa, já que a maioria das simulações anteriores não considerava o gás frio e empoeirado.
Apesar do avanço proporcionado pelo COLIBRE, a simulação ainda não consegue explicar certos fenômenos observados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), como as "pequenas poças" que aparecem quando o universo atinge 1,5 bilhão de anos. Esses fenômenos podem ser indícios de buracos negros supermassivos, uma questão que ainda não foi abordada pelo modelo atual.
A maioria das simulações do COLIBRE está programada para ser finalizada em 2025, embora algumas ainda estejam em progresso. A equipe já possui dados que exigirão anos de análise, além de terem criado versões audiovisualizadas da simulação, que incluem sonificação, para facilitar a exploração dos dados. James Trayford, da Universidade de Portsmouth, expressa entusiasmo pela possibilidade de novas abordagens no entendimento da formação e evolução das galáxias.
A pesquisa foi publicada em uma edição recente da Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, no dia 13, destacando a relevância e o impacto dessa nova simulação na astrofísica moderna.

