O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) continua a investigação sobre um investimento de R$ 90 milhões realizado pela Cedae no Banco Digimais, instituição financeira que recentemente sofreu uma operação da Polícia Federal. A operação, que ocorreu no dia 23 de junho de 2026, trouxe novas preocupações sobre a situação financeira do banco, que já era considerado de alto risco no mercado.
O aporte foi feito durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro e está sob análise desde novembro de 2025, quando o conselheiro José Gomes Graciosa decidiu abrir uma inspeção especial para verificar a destinação dos recursos. Atualmente, o processo permanece na presidência da Corte, aguardando a coleta de documentos pertinentes à investigação.
A operação da Polícia Federal investiga possíveis manipulações contábeis que teriam como objetivo encobrir a realidade econômica do Banco Digimais. A instituição já havia sido citada em contextos semelhantes a outros bancos que apresentaram riscos significativos, como o Banco Master, e oferecia taxas de retorno atrativas para captar investidores.
O aporte de R$ 90 milhões foi autorizado por Antônio Carlos dos Santos, que era o diretor financeiro da Cedae à época e mantinha proximidade política com Cláudio Castro. Ele alegou que o investimento foi realizado em um DPGE (Depósito a Prazo com Garantia Especial), uma modalidade com um prazo específico para resgate. Antônio Carlos destacou que a operação visava aumentar as receitas da companhia e garantiu que não havia risco de perda dos recursos, uma vez que o investimento contava com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O ex-diretor ainda informou que R$ 50 milhões já haviam retornado aos cofres da Cedae durante sua gestão, e os R$ 40 milhões restantes também estariam cobertos pelo mecanismo de garantia. Ele afirmou não ter recebido alertas de órgãos de controle sobre possíveis riscos associados ao investimento.
Após a privatização dos serviços de água e esgoto, a Cedae ainda é responsável pela captação e tratamento de água no Estado do Rio de Janeiro e permanece vinculada ao governo fluminense. A companhia anunciou que sua atual administração revisou a Política de Aplicações Financeiras, com a nova regra aprovada pelo Conselho de Administração em 19 de maio.

