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Trump ordena corte total de comércio com a Espanha durante cúpula da OTAN

Durante coletiva em Ancara, Donald Trump ordenou o fim de todo comércio com a Espanha, criticando o país por não aumentar os gastos com defesa. A medida poderá ter repercussões significativas nas relações bilaterais.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em coletiva na cúpula da OTAN, realizada em Ancara, Turquia, que determinou o encerramento de todas as atividades comerciais com a Espanha. Durante o evento, ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, Trump expressou descontentamento com a postura espanhola em relação à aliança. "A Espanha é um parceiro terrível na OTAN. Não participa. Não paga. Não quero saber nada da Espanha. Cortem todo o comércio com a Espanha, por favor, incluindo as visitas. Não falem nem com eles. São uma causa perdida, pessoas ruins", afirmou o presidente, indicando que a ordem foi dada diretamente ao secretário do Tesouro, Scott Bessent.

A crítica de Trump se baseou no fato de que a Espanha é o único membro da OTAN que não se comprometeu a aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB até 2035, uma meta estabelecida na cúpula anterior da aliança. Em 2025, o país investirá 2,1% do PIB em defesa, um aumento significativo em relação aos 1,4% de 2021. Rutte, ao reconhecer o progresso, tentou interromper Trump: "Você fez a Espanha pagar 2%. Eles deram um passo enorme no ano passado", mas foi ignorado pelo presidente americano.

As tensões entre os Estados Unidos e a Espanha se intensificaram ao longo de 2026. Em março, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez negou o uso das bases militares de Rota e Morón para operações americanas contra o Irã, além de ter fechado o espaço aéreo espanhol para aeronaves dos EUA. Sánchez classificou a ação como uma "intervenção militar injustificada e fora do direito internacional".

As declarações de Trump tiveram um impacto imediato nos mercados financeiros, acelerando a queda dos títulos espanhóis. O rendimento dos bônus de dez anos subiu sete pontos-base, alcançando 3,54%, enquanto o índice IBEX 35 viu suas perdas aumentarem, com uma queda superior a 1% na sessão. O ETF iShares MSCI Spain também sofreu um recuo de 5,7% nas negociações em Nova York, refletindo o clima de incerteza criado pela declaração do presidente.

A viabilidade de Trump implementar o corte comercial de forma unilateral enfrenta desafios legais. A Suprema Corte dos Estados Unidos já havia anulado tentativas anteriores do presidente de usar poderes executivos para impor tarifas arbitrárias. Além disso, o comércio entre os EUA e a Espanha é regido por um acordo bilateral com a União Europeia, o que poderia provocar uma resposta coletiva de Bruxelas em caso de sanções.

Friedrich Merz, chanceler alemão, que se reuniu com Trump na Casa Branca em março, alertou que os acordos tarifários são negociados com a União Europeia como um todo, e não com cada país individualmente. Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da Espanha minimizou a declaração de Trump, reafirmando que o país é uma potência exportadora da União Europeia e um parceiro comercial confiável para 195 países, incluindo os EUA.

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