Na quarta-feira, 28, o Departamento de Estado dos EUA anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. Essa decisão foi divulgada um dia após a bancada do PT na Câmara dos Deputados ter emitido uma nota criticando a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em busca dessa designação junto ao governo norte-americano.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmou a designação em suas redes sociais, afirmando que o PCC e o CV são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil, com alcance que se estende pela região e até mesmo aos EUA. A publicação ressaltou a importância da medida, ao designar essas facções como Foreign Terrorist Organizations e Specially Designated.
A articulação de Flávio Bolsonaro com o presidente dos EUA, Donald Trump, foi destacada como um dos principais motivos para a reação do PT. Em uma reunião na Casa Branca, realizada na terça-feira, 26, o senador revelou que fez o pedido diretamente ao presidente, solicitando que o PCC e o CV fossem designados como organizações terroristas estrangeiras. Segundo Flávio, Trump se comprometeu a analisar a proposta.
Durante o encontro, o senador também mencionou as diferenças entre um possível governo sob sua liderança e a atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar de ter discutido sua pré-candidatura à Presidência da República, Flávio Bolsonaro afirmou que Trump não manifestou apoio à sua candidatura.
A resposta do PT foi rápida. Na quinta-feira, 28, o partido publicou uma nota oficial onde acusa Flávio e Eduardo Bolsonaro de tentarem pressionar os EUA para obter uma medida que já havia sido rejeitada pelo Congresso Nacional em discussões sobre segurança pública.
Além disso, a bancada petista advertiu que a classificação das facções como grupos terroristas poderia acarretar consequências econômicas e diplomáticas significativas para o Brasil. A nota destaca que instituições financeiras e empresas brasileiras podem enfrentar sanções e restrições internacionais, além de riscos à credibilidade do país no cenário global.

