O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, transferiu temporariamente uma de suas funções para o lorde chanceler Alex Norris, membro do Partido Trabalhista. Essa mudança foi motivada por uma antiga regra religiosa que impede que católicos, como Burnham, aconselhem o rei em relação à escolha de bispos e líderes da Igreja da Inglaterra.
A origem dessa legislação remonta ao século 18, quando as restrições aos católicos eram severas no Reino Unido. Apesar de várias dessas limitações terem sido revogadas ao longo do tempo, a proibição de aconselhar o monarca sobre certas nomeações na Igreja ainda permanece vigente.
Burnham, que assumiu a liderança do governo em julho de 2026, é o primeiro primeiro-ministro católico a ocupar o cargo no Reino Unido. Em razão da regra, o governo decidiu que Norris ficará responsável por fornecer aconselhamento ao rei sobre as nomeações pertinentes à Igreja da Inglaterra.
Embora essa mudança tenha caráter temporário, o governo britânico está discutindo um projeto de lei que visa eliminar a restrição e permitir que primeiros-ministros católicos ou judeus exerçam plenamente essa função. A proposta também procura abolir outras referências discriminatórias que ainda persistem na legislação sobre as nomeações da Igreja.
É importante destacar que a legislação atual não proíbe católicos ou judeus de se tornarem primeiros-ministros, mas impõe restrições específicas em relação ao aconselhamento ao rei sobre nomeações eclesiásticas. A Igreja da Inglaterra, que tem o monarca como seu líder formal, exige que algumas de suas nomeações mais significativas sejam feitas com orientação do governo, o que torna a questão ainda mais relevante no contexto político atual.

