Nick Zimmerman, que foi diretor para Brasil e Cone Sul do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, declarou que há a possibilidade de o governo de Donald Trump não reconhecer uma vitória apertada de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições. A afirmação foi feita durante uma entrevista ao podcast “A Máquina”, do jornal Folha de S.Paulo, publicada no último sábado, 3.
O ex-assessor de Barack Obama expressou que, em um cenário onde Lula vença por uma margem estreita, essa situação poderia ser utilizada como um mecanismo de pressão pelo governo Trump, potencialmente abrindo caminho para a imposição de novas sanções econômicas em 2027.
Por outro lado, Zimmerman considera que, se Flávio Bolsonaro for o vencedor, a relação entre os governos deve começar de maneira mais cooperativa. Ele acredita que há oportunidades para acordos comerciais, cooperação em segurança pública e a redução de tarifas entre Brasil e Estados Unidos.
O pesquisador também comentou sobre o estado atual das relações bilaterais, que ele considera ter atingido o pior nível desde o golpe militar de 1964. Zimmerman destacou que os danos nas relações entre os dois países estão se acumulando e se tornam cada vez mais difíceis de reparar.
Entre os fatores que impactaram essa relação, ele mencionou o aumento de tarifas do ano passado, as sanções impostas pela Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a designação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas. Além disso, espera-se que haja conflitos relacionados à presença da China no Brasil, com Trump buscando estabelecer restrições ao acesso chinês à infraestrutura e aos recursos minerais brasileiros.
Apesar da pressão, Zimmerman considera improvável que isso resulte em mudanças significativas, lembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro não impediu a participação da Huawei na implementação do 5G no Brasil, mesmo com a proximidade que mantinha com Trump.

